Benfica: Mário Dias diz que novo estádio não era para Taveira
O vice-presidente para a área do património, Mário Dias, afirmou hoje que nunca foi intenção do Benfica entregar o projecto de um novo estádio de futebol ao arquitecto Tomás Taveira, por não lhe reconhecer currículo nesse âmbito.
”Não é que o arquitecto Taveira não tivesse competência profissional, mas eu não lhe conhecia capacidade para fazer um novo estádio, porque não lhe conhecia currículo nesse âmbito”, disse Mário Dias na última sessão do julgamento que opõe o arquitecto ao Benfica, na 14ª vara do Palácio de Justiça de Lisboa.
Mário Dias explicou que o projecto de Tomás Taveira (que tinha assinado um contrato com a Direcção presidida por João Vale e Azevedo) dizia unicamente respeito à remodelação do antigo Estádio da Luz.
Mas, em Novembro de 2000, os sócios do Benfica elegeram Manuel Vilarinho como presidente e Mário Dias assumiu o cargo de vice- presidente para a área do património. Segundo contou em tribunal, o primeiro objectivo da nova Direcção era que o estádio fosse um dos palcos do Europeu de futebol de 2004.
”Sabíamos que Vale e Azevedo tinha feito contactos para a remodelação do estádio, mas quando cheguei ao clube não tinha nada, não sabia o que estava assumido pela Direcção anterior”, afirmou o responsável ”encarnado”, avançando que foi o próprio arquitecto que fez chegar uma missiva ao clube na qual explicava o contrato assumido.
De acordo com Mário Dias, os responsáveis ”encarnados” fizeram depois uma ”reunião informal” com o arquitecto, na qual ”não foi apresentado nada que pudesse reportar um projecto”, pois ”havia intenções e um esquisso, nada mais”.
Entretanto, Tomás Taveira explicou à Direcção do Benfica que era difícil fazer a intervenção de remodelação, porque colocaria em causa a estrutura do estádio, e mais tarde colocou por escrito que a obra ”não era exequível”.
”Fui mandatado para tomar as iniciativas que achasse convenientes e, de acordo com o que o arquitecto dizia, tinha de pensar num estádio novo. Após a carta de Taveira, estava claro para nós que o assunto estava sanado”, comentou.
Mário Dias explicou ainda que Tomás Taveira lhe chegou a falar em fazer um estádio novo, mas que lhe respondeu negativamente, porque na altura já estava comprometido com outro projectista.
Dada a insistência de Taveira em ser recebido pelo Benfica (decorreram vários meses, ao longo dos quais o arquitecto enviou várias cartas e faxes ao clube), Mário Dias afirmou que este acabou por ser recebido altura em que lhe foi comunicado que ”se a remodelação tivesse tido lugar teria sido ele o responsável, mas se a opção era um estádio novo não seria ele a fazê-lo”.
”Nem sequer a sua colaboração no projecto ficou garantida”, frisou o vice ”encarnado”, reiterando que Tomás Taveira ”nunca submeteu nenhum projecto à aprovação do Benfica, nem apresentou nenhuma factura do trabalho realizado”.
O arquitecto Tomás Taveira exige o pagamento de 1,5 milhões de euros pelo projecto de construção do novo estádio, enquanto o Benfica diz que apenas o contratou para fazer a remodelação do antigo Estádio da Luz.
No final da sessão, Mário Dias disse aos jornalista que tentou esclarecer dúvidas para o ”tribunal decidir com acerto”.
”Não me quero antecipar às decisões do tribunal, mas é minha convicção de que toda a razão assiste ao Benfica”, explicou, avançando que teria feito a mesma coisa se o caso ocorresse hoje: ”Tomás Taveira não desempenhou o trabalho e auto-excluiu-se”.
As alegações finais estão agendadas para 02 de Maio, pelas 11:00, na 14ª vara do Palácio da Justiça de Lisboa, estando prevista ainda uma nova audição de um colaborador de Taveira, João Roxo Nogueira.
LUSA


