Taça da Liga: Técnicos de Sporting e Vitória de Setúbal «fogem» ao favoritismo
Os treinadores de Sporting e Vitória de Setúbal discordaram hoje na questão da atribuição do favoritismo para a final da Taça da Liga em futebol, que se disputa domingo no Estádio Algarve.
Respondendo lado-a-lado na conferência de imprensa de lançamento do encontro, Paulo Bento, por banda do Sporting, e Carlos Carvalhal, por parte dos sadinos, desencontraram-se nas opiniões, com o técnico ”leonino” a atribuir 50 por cento para cada conjunto, enquanto o vitoriano apontou o favoritismo ao adversário.
”O Vitória está num patamar claramente inferior ao Sporting”, disse o técnico dos setubalenses, embora considere que a sua equipa tem condições para reduzir as diferenças, com a ”qualidade e atitude” dos profissionais e o ”apoio forte dos vitorianos”.
Carlos Carvalhal atribui o favoritismo ao Sporting não só pelo historial, mas também pelo presente: ”Tem um excelente treinador, com uma equipa à sua imagem e que tem feito um excelente trabalho. Apresentou resultados e aposta nos jovens”.
”São realidades muito diferentes. Mas a diferença não retira ambição. Temos grande vontade de trilhar o caminho do êxito e prometo que vamos esgrimir argumentos até à última pinga de suor. As finais são para se ganhar e é isso que pretendemos”, afirmou Carvalhal.
Paulo Bento afirmou entender que o adversário atribua o favoritismo à sua equipa, mas assinalou que há probabilidades iguais de vitória.
”Numa final, há 50 por cento para cada lado”, disse, recordando o passado recente de Vitória de Setúbal e de Carvalhal.
”Falamos de um clube que nos últimos anos esteve por duas vezes na final da Taça de Portugal e conquistou uma. E também de um técnico que já esteve numa final da Taça e na Supertaça e que irá incutir ambição aos seus jogadores para ganhar uma primeira final”, acrescentou.
O treinador do Sporting acrescentou que, apesar dos diferentes estatutos, isso diminui um pouco neste tipo de jogos.
”A motivação para uma final é enorme, mas acredito que a dos jogadores do Vitória não será maior do que a dos jogadores do Sporting”, sublinhou.
As duas equipas já se encontraram por três vezes esta época e o Sporting não registou qualquer vitória. Os dois treinadores desvalorizaram, contudo, esse trajecto comum, com a ideia de que um jogo decisivo é sempre diferente.
”Devemos fazer algumas coisas que fizemos nesses jogos, mas evitar os erros que cometemos. De qualquer forma, é um jogo completamente diferente. Os jogos anteriores não têm qualquer influência”, resumiu Paulo Bento, que pediu aos jogadores para se focalizarem ”naquilo que ganharam: a Taça de Portugal e a Supertaça”.
Carlos Carvalhal valorizou o facto de a sua equipa não ter falhado nas ocasiões importantes: ”O passado com o Sporting não é importante. Mais importante que esses jogos, foi o facto de a equipa não ter falhado, esta época, nos momentos de afirmação, tsnto contra o Benfica (Taça da Liga) como contra o Guimarães (Taça de Portugal)”.
O técnico recordou ainda que o dinheiro proveniente das vitórias na competição ”fez mover o grupo” nas primeiras eliminatórias da competição, ”porque seria importante para pagar os vencimentos”, mas agora é diferente: ”É a possibilidade de chegar à final e vencer que nos importa, mais que o aspecto monetário”.
Questionado se a vitória na Taça da Liga seria a salvação da época, Paulo Bento respondeu negativamente.
”Seria se não houvesse mais nada para ganhar. O nosso campeonato tem sido mau, mas ainda estamos na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Tomara que o Sporting estivesse sempre assim, perto de conquistar”.
Na perspectiva do técnico sportinguista, a Taça da Liga ”foi uma prova desvalorizada por alguns sectores”.
”Já sei que se ganharmos o troféu tem pouco prestígio e se perdermos é como se tivéssemos perdido a Liga dos Campeões”, frisou.


