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Treinadores portugueses na China celebram título do Shanghai SIPG de Vítor Pereira

A conquista do campeonato chinês por Vítor Pereira é «muito boa para a imagem» dos cerca de 100 treinadores portugueses radicados na China, afirmaram hoje alguns técnicos à agência Lusa, reclamando também maior apoio institucional.

Treinadores portugueses na China celebram título do Shanghai SIPG de Vítor Pereira
Treinadores portugueses na China celebram título do Shanghai SIPG de Vítor Pereira

“Estou aqui num grupo de treinadores portugueses no Wechat [o Whatsapp chinês] e está toda a gente a comentar que é muito bom para a nossa imagem”, diz Francisco Duarte, 29 anos, e treinador de futebol numa escola pública no norte de Pequim.

Vítor Pereira levou hoje o Shanghai SIPG à conquista do primeiro título de campeão chinês de futebol, ao impor-se por 2-1 na receção ao Beijing Renhe, em jogo da 29.ª e penúltima jornada do campeonato.

O título quebra com um domínio absoluto de sete anos do Guangzhou Evergrande na prova máxima do futebol do país asiático.

“Por ter sido campeão com o Shanghai, e não com o Guangzhou, no qual seria mais um, torna a vitória mais especial”, observa Francisco Duarte.

Gonçalo Figueira, que dá formação a treinadores chineses numa academia de futebol no sul do país, enaltece a “capacidade de adaptação” de Vítor Pereira.

“O Shanghai [SIPG] é muito organizado, acho que estrategicamente ele montou boas equipas e conseguiu adaptar-se ao futebol chinês, o que não é fácil”, disse à Lusa.

O técnico português, que em dezembro de 2017 sucedeu a André Villas-Boas no comando do Shanghai SIPG, sagrou-se campeão logo na época de estreia na equipa de Xangai, tal como tinha acontecido em 2011, no FC Porto, depois de também ter substituído o compatriota.

O técnico natural de Espinho foi o único dos três treinadores portugueses que iniciou e terminou a temporada na China – e logo como campeão -, uma vez que Paulo Bento e Paulo Sousa rescindiram os contratos com Chongqing Lifan e o Tianjin Quanjian, respetivamente.

De acordo com a contagem da agência Lusa, quase 100 treinadores portugueses de futebol vivem hoje no país asiático, desde a província de Jilin, na fronteira com a Coreia do Norte, à ilha tropical de Hainan, no extremo sul do país.

Alguns são contratados por clubes profissionais e outros estão integrados no sistema de ensino público, que incluiu em 2015 a modalidade no desporto escolar, parte de um “plano de reforma do futebol” decretado pelo governo, visando elevar a seleção chinesa ao estatuto de grande potência.

Francisco Duarte lamenta, no entanto, que a “federação [portuguesa], liga ou a Associação Nacional dos Treinadores de Futebol em nada” apoiem os técnicos radicados na China, ao “contrário de outros países, nomeadamente Espanha”, onde há uma “divulgação e programas estruturados para os treinadores na China”.

“Devia haver algo mais estruturado para nos promover e trazer mais treinadores. Estamos sozinhos, é cada um por si”, descreve.

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