Crónica: Estados Unidos fazem vida difícil a Inglaterra em jogo ‘nulo’
Estados Unidos e Inglaterra empataram hoje a zero, no Grupo B do Mundial do Qatar, num encontro em que os norte-americanos adiaram o apuramento dos ingleses e em que até mereciam a vitória.
Em duelo da segunda jornada, em Al Khor, os Estados Unidos perderam a ‘timidez’ demonstrada na estreia perante o País de Gales (1-1) e ‘encostaram’ a Inglaterra à sua área durante grande parte do encontro, falhando apenas na concretização, sobretudo durante a primeira parte.
Nessa fase, Pulisic atingiu com ‘estrondo’ a barra do guarda-redes Pickford, já depois de McKennie ter desperdiçado excelente oportunidade.
Os Estados Unidos, com grande surpresa, sobretudo após a goleada da Inglaterra sobre o Irão, de Carlos Queiroz, na estreia (6-2), foram claramente superiores aos atuais vice-campeões europeus, deixando o Grupo B em aberto para a última ronda, com todas as quatro seleções a terem possibilidade de seguir em frente.
A Inglaterra, que podia ter festejado já o apuramento na segunda ronda, segue na liderança com quatro pontos e terá que fazer ‘tempo extra’ frente ao País de Gales, de Gareth Bale, último com apenas um, mas ainda na luta.
A terceira e decisiva jornada do agrupamento ganha ainda mais interesse, com Estados Unidos, terceiro com dois pontos, e Irão, de Carlos Queiroz, segundo com três, a ‘lutarem’ pelo apuramento, num encontro que desperta atenções além desportivas.
O encontro no Estádio Al Bayt, com quase 70 mil adeptos nas bancadas, até começou como esperado, com a Inglaterra com mais bola e os Estados Unidos mais recuados, mas os norte-americanos demoraram pouco a perceber que podiam mandar na partida.
Kane e Stones ainda assustaram o guardião Turner nos minutos iniciais, mas os Estados Unidos passaram a ser ‘donos’ do jogo, com Dest, McKennie, Pulisic e sobretudo o ‘desconhecido’ Wright a deixarem os ingleses totalmente desorientados.
O veloz e desconcertante Haji Wright, que alinha nos turcos do Antalyaspor, foi suplente não utilizado perante Gales, mas hoje revolucionou o ataque norte-americano, arriscando vários lances individuais e dando confiança ao seus colegas de equipa.
Aos 26 minutos, McKennie, completamente solto na área e em excelente posição, atirou por cima e, pouco depois, Pulisic, de pé esquerdo, deixou a baliza de Pickford a abanar durante largos segundos.
A Inglaterra continuava sempre mais interessada em manter a bola em zonas mais recuadas, sem nunca aumentar, por opção, a velocidade da partida, mas, perto do intervalo, Mount obrigou Turner a boa defesa.
A segunda parte arrancou com os Estados Unidos em ‘cima’, mas sem a mesma facilidade em chegar à área inglesa, enquanto a equipa de Gareth Southgate continuava com as mesmas dificuldades em conseguir ligar o seu jogo a Harry Kane, mas também a Saka e Sterling.
De forma talvez algo ‘cínica’, a Inglaterra esperou que os Estados Unidos entrassem em quebra física, tal a intensidade que foram impondo na partida (Dest e McKennie saíram totalmente esgotados perto dos 80 minutos), mas o melhor que conseguiram foi assustar já nos descontos, num cabeceamento da Kane.


