LE: Benfica venceu as duas primeiras finais, mas perdeu as sete seguintes
O Benfica venceu as suas duas primeiras finais, frente aos “monstros” espanhóis FC Barcelona e Real Madrid, mas, depois disso, já vai em sete perdidas de forma consecutiva, sendo que os adversários nunca “ajudaram”.
Se o FC Porto teve pela frente clubes como AS Mónaco ou Celtic e o Sporting o MTK Budapeste ou o CSKA de Moscovo, o conjunto da Luz nunca mediu forças com qualquer “pera doce”, nunca enfrentou qualquer final como inquestionável favorito.
O Sevilha, na 10.ª, quarta-feira, em Turim, é, indiscutivelmente, o menos poderoso dos adversários que já discutiram um título europeu com o Benfica, que tem, assim, a oportunidade ideal para acabar com a “maldição” de Guttmann.
Segundo reza a “lenda”, o treinador húngaro, depois de deixar a Luz, já bicampeão europeu, disse que o Benfica jamais ganharia na Europa sem ele e, volvidos 50 anos, os “encarnados” continuam “apenas” com dois troféus europeus.
A história europeia dos “encarnados” podia, de facto, ter bem mais do que dois títulos para contar, justificava-o, sendo que já aconteceram derrotas para todos os gostos, em penáltis, prolongamento, nos descontos e até com uma lesão de uma guarda-redes numa altura em que não havia substituições.
O Benfica não foi feliz pós Guttmann, mas foi-o claramente na primeira final com o húngaro, em 1960/61, num triunfo sofrido face ao FC Barcelona (3-2), em Berna, onde Coluna foi decisivo, com um golo que, aos 55 minutos, colocou o resultado em 3-1.
Na época seguinte, os “encarnados” foram “gigantes” face ao Real Madrid, em Amesterdão, onde estiveram a perder por 2-0 (“bis” de Ferenc Puskas, que ainda fez o 2-3) e venceram por 5-3, como José Águas e Coluna a repetir os golos do ano anterior e o “miúdo” Eusébio a resolver, com um “bis”.
Com Fernando Riera em vez de Guttmann, o Benfica, então bicampeão em título, era favorito na final de 1962/63 e esteve a vencer, com um tento de Eusébio, mas um “bis” de Altafini, na segunda metade, deu o título ao AC Milan, em Wembley (1-2).
O Benfica falhou a final de 1963/64, mas voltou na época seguinte, para jogar fora, com o Inter de Milão, em San Siro, onde um golo de Jair, aos 42 minutos, decidiu (0-1) um jogo que os “encarnados” jogaram com apenas 10 desde os 57, por lesão do guarda-redes Costa Pereira. Não havia substituições.
A década de 60 ainda teve uma quinta final, em 1967/68. Em Wembley, perto de casa, o Manchester United marcou primeiro, mas Jaime Graça empatou e, com o fim à vista, Eusébio falhou uma oportunidade daquelas que “nunca” falhava. No prolongamento, os ingleses, de George Best, marcaram três golos de “rajada”.
Quinze anos volvidos, em 1982/83, o Benfica chegou à final da Taça UEFA, mas, frente a um poderoso Anderlecht, perdeu por 1-0 em Bruxelas e, em casa, depois de sonhar, com um golo de Shéu, caiu aos pés de Lozano (1-1), que “gelou” a Luz.
A sétima final, e sexta na Taça dos Campeões, aconteceu em 1987/88 e, frente ao PSV Eindhoven, base da Holanda campeã europeia em 1988, o troféu decidiu-se nos penáltis. O “onze” de Toni marcou os cinco primeiros, mas, ao sexto, Janssen manteve o pleno na baliza de Silvino, enquanto Veloso falhou.
Os “encarnados” voltaram em 1989/90, mas, frente a um “super” AC Milan, dos holandeses Rijkaard (autor do único golo do encontro), Gullit e Van Basten, mais uma série de “estrelas”, como Maldini, Baresi ou Ancelotti, voltou a perder.
Vinte e três anos depois, o Benfica disputou a final da Liga Europa, frente ao então detentor do título europeu, o Chelsea, e, apesar de ter jogado muito, voltou a cair (1-2), desta vez de forma cruel, com um tento aos 90+3 minutos, de Ivanovic.
Apenas um ano depois, os “encarnados” têm outra oportunidade, novamente na segunda competição da Europa. O Sevilha, que esta temporada afastou o FC Porto e também defrontou o Estoril na fase de grupos, é o adversário.


