Mundial-2014: Superstição, esperança e angústia na Casa de Portugal
Superstição, esperança até ao último segundo e angústia marcaram a transmissão da partida de despedida da seleção portuguesa de futebol do Mundial2014, entre os adeptos que se reuniram na Casa de Portugal de São Paulo.
Apesar da animação e do apoio por parte dos adeptos, a vitória portuguesa sobre Gana, por 2-1, não foi suficiente para qualificar Portugal para os oitavos de final.
Os cerca de 200 adeptos começaram a partida tímidos, mas logo aos 10 minutos do primeiro tempo começaram as palmas e gritos, com uma falta a favor de Portugal próxima da área da Gana.
Camisolas, bandeiras e chapéus de Portugal coloriam o local. Comidas típicas, como pastéis de bacalhau e doces portugueses, e a música entoada por um grupo de dança folclórica portuguesa no intervalo da partida completaram o ambiente.
O primeiro golo de Portugal foi bastante comemorado. “Estamos a perder muitos golos, mas tenho esperança de que façamos pelo menos mais três, e que a Alemanha vença. Vou acreditar até aos 45 minutos do segundo tempo”, afirmou a advogada luso-brasileira Letícia Valpereiro, 27 anos.
A alegria provocada pelo autogolo de John Boye (31 minutos) foi arrefecida com o golo do empate marcado por Asamoha Gyan (57). Portugal precisava de anular uma desvantagem de cinco golos em relação aos Estados Unido, mas primeiro e único golo de Cristiano Ronaldo no Brasil chegou tarde, aos 80 minutos, e foi curto para o “milagre” de que a seleção precisava.
Apesar do apoio incondicional, a advogada arriscou um palpite sobre os motivos da má campanha de Portugal. “Foi uma série de erros, que começou na preparação longe do Brasil. Os atletas não se adaptaram ao clima, chegaram só na véspera da primeira partida”, afirmou.
A falta de pontaria dos portugueses nas suas finalizações e a diferença de nível técnico entre Cristiano Ronaldo e os outros atletas também foi apontada. “Não adianta ter o melhor do mundo se os outros não acompanham”, queixou-se o programador de computadores Marcos Viana Santos, 47 anos, neto de portugueses.
O jurista José Soares, 29 anos, de Lisboa, mora atualmente em São Paulo, disse que também apoiava a Alemanha pelo “milagre” da qualificação portuguesa. “Já a estava a espera de que pudéssemos não passar, mas a angústia é inevitável”, afirmou.
O ex-guarda-metas Oswaldo Martins de Oliveira, 65 anos, que treinou na Portuguesa de Desportos, de São Paulo, recorreu à superstição para apoiar a equipa. Levava em seus bolsos dois frasquinhos com azeite português e um lenço com as cores de Portugal. “Para conseguir um milagre, a gente tem de acreditar”, afirmou.
No final da partida, os adeptos aplaudiram, resignados. “Fiquei triste pela seleção, e também porque vou demorar para acompanhar outra partida aqui [na Casa de Portugal], com os amigos que gosto de rever. O Mundial era uma oportunidade de torcer ao lado deles”, lamentou Marcos Viana Santos.
Portugal despediu-se do Mundial2014, no Brasil, como terceiro classificado do Grupo F, com quatro pontos, tantos quanto os Estados Unidos, que hoje perdeu com a Alemanha (1-0), mas seguiu para os oitavos de final juntamente com os germânicos.


