‘Superbowl’ à portuguesa sem polémica nem tempo para se falar de Jesus
Na final da Liga Portuguesa de Futebol-Americano, que hoje se realizou em Coimbra, não se falou em Jorge Jesus, em Sporting, Marco Silva ou Benfica, mas houve cavalheirismo e jogo limpo, apesar dos capacetes, ombreiras ou joelheiras que protegem viris atletas.
Lisboa Navigators, seis vezes campeões em Portugal, tantas como as edições da Liga, e Crusaders Futebol Americano, de Oeiras, que nunca tinham chegado a um ‘Superbowl’ português, mas que foram até hoje a única equipa a vencer os agora hexacampeões, divulgaram a modalidade com mestria e deixaram em Coimbra sementes para o desenvolvimento deste tipo de futebol que, apesar de duro, se destaca pelo respeito entre pares.
Os Navigators voltaram a vencer – não há outro campeão em Portugal -, os Crusaders ganharam tarimba nesta presença inédita numa final e o público que se deslocou ao estádio Sérgio Conceição, em Taveiro, Coimbra, e que também gosta daquele futebol que entusiasma milhões em Portugal, saiu satisfeito. Nem para os derrotados houve tempo para dores de cotovelo.
Neste futebol, disseram à agência Lusa vários entendidos e que acompanham toda a Liga, não haveria tempo para tamanha polémica como a que nos últimos dias tem aquecido a discussão desportiva em Portugal, até porque aqui, no futebol-americano, apesar da brutalidade com que algumas jogadas se desenrolam, o respeitinho é muito bonito. E todos gostam.
O amadorismo da modalidade – nesta época, eventuais transferências já tiveram de ser realizadas com o consentimento dos dois clubes, o que até então não acontecia – une de forma diversa ao futebol de 11 os apoiantes deste jogo tipicamente americano, até porque a maioria daqueles que gritaram no estádio de Taveiro eram sobretudo familiares dos atletas.
Quase todos se conhecem, todos se cumprimentam: passaram uma época no apoio a filhos, maridos, namorados ou até netos ou pais.
Muita família, muita paixão pela modalidade e muito, muito calor, destacaram-se na final de Coimbra, que carimbou o hexacampeonato dos Navigators.
“Navigators, Navigators, Go! Go! Go!”, um grito muito à americana, ia saindo com frequência das bancadas deste estádio dos arredores de Coimbra, que estava também pintado com vários ‘jerseys’ de outras equipas desta Liga que este ano reuniu 10 equipas. Todos unidos pela modalidade e pelo prazer do desporto.
O resultado ao intervalo (20-6) já fazia adivinhar o desfecho (32-13), mas nem por isso os Crusaders, que, tal como os Navigators, competem em Portugal desde o início destes campeonatos, deitaram o capacete ao chão. Nem eles, nem os seus apoiantes.
De fora deste jogo entre os que foram melhores este ano estava José Guedes, de Coimbra, que vai a “todas”: “Aqui, ao Sérgio Conceição, venho sempre. Seja futebol, râguebi ou, agora, futebol-americano”.
“Imaginava mais ‘porrada’, mas isto parece-me limpinho. Se fosse assim no futebol…”, disse o espetador à Lusa, enquanto aplaudia mais um ‘touchdown’ dos Navigators. Mais seis pontos, portanto.
Oficiais, os Navigators já disputaram mais de 50 jogos. Perderam uma única vez, em 2013, na fase regular, 44-32 com os Crusaders.
Hoje, como (quase) sempre, voltaram a ganhar. Saúde-se o campeão. E os primeiros a fazê-lo, educadamente, foram os Crusaders.
Para o ano há mais. Com o respeitinho de que todos gostam.


