530 dias depois, Villas-Boas volta a “cair” em Londres
A goleada frente ao Liverpool, na última jornada da Liga inglesa de futebol, fez André Villas-Boas regressar ao desemprego, 530 dias depois de ter assinado pelo Tottenham, o segundo clube londrino do qual foi despedido.
Quatro meses depois de ter sido afastado do Chelsea, André Villas-Boas voltou ao ativo no Tottenham, acabando, contudo, por sofrer de novo uma “chicotada”, embora seja, entre os 13 últimos treinadores dos “spurs”, aquele que tem melhor percentagem de vitórias (53,7).
Aos 36 anos, Luís André de Pina Cabral e Villas-Boas deixa White Hart Lane a meio do contrato de três anos que tinha assinado em 03 de julho de 2012, para substituir Harry Redknapp, demitido após quatro anos no comando técnico da equipa e depois de ter “falhado” a qualificação para a Liga dos Campeões.
Na primeira época nos londrinos, André Villas-Boas falhou por um ponto o acesso à Liga dos Campeões, ao terminar na quinta posição a Liga inglesa, e foi eliminado em rondas precoces na Taça de Inglaterra e Taça da Liga, atingindo os quartos-de-final da Liga Europa, que tinha vencido dois anos antes no FC Porto.
Villas-Boas não resistiu à goleada sofrida em casa frente ao Liverpool (5-0), deixando pela segunda vez o comando técnico de um clube da Liga inglesa, numa altura em que o Tottenham é sétimo, a oito pontos do líder Arsenal, depois de ter assumido o objetivo de terminar entre os quatro primeiros.
Quando se transferiu do FC Porto para o Chelsea, André Villas-Boas protagonizou a mais cara transferência de um treinador de futebol, com os londrinos a pagarem 15 milhões pela rescisão com os atuais campeões portugueses.
Nos “blues”, no qual foi substituído pelo seu adjunto Roberto Di Matteo, Villas-Boas não resistiu às más exibições e aos maus resultados, acabando por ser demitido após a sétima derrota na Liga Inglesa, e já a 20 pontos da liderança.
O Chelsea acabou por terminar a época na sexta posição da “Premiership”, a 26 pontos do campeão Manchester City, “desaire” completamente esquecido com a concretização do sonho de Abramovich, que nem José Mourinho tinha conseguido: a conquista da Liga dos Campeões.
No verão de 2011, Villas Boas levantou-se da sua “cadeira de sonho”, o posto de técnico do FC Porto, pouco mais de um ano depois de ter tomado as rédeas e guiar o clube numa temporada quase imaculada, conquistando a Liga Europa, a Liga portuguesa, sem qualquer derrota, a Taça de Portugal e a Supertaça.
O FC Porto de Villas-Boas ganhou o campeonato com 27 vitórias e míseros três empates – melhor só o Benfica de 1972/73 (28 triunfos e dois empates).
Para a história entrou também o sensacional percurso na Liga Europa, com 14 vitórias em 17 jogos e 44 golos, bem como quatro triunfos sobre o Benfica, entre eles um 5-0 caseiro, um 2-1 na Luz que selou o título e um 3-1 também na casa dos “encarnados”, para a Taça, após um 0-2 caseiro.
A carreira do treinador André Villas-Boas começou “a sério” em 2009/2010, quando assumiu o comando técnico da Académica de Coimbra. Antes, havia orientado, com 23 anos, as Ilhas Virgens Britânicas, em dois jogos de qualificação para o Mundial, em 2000.
A sua carreira no futebol começou, porém, bem antes e já no FC Porto, através do então vizinho, o técnico inglês Bobby Robson, em 1994, com apenas 17 anos.
Villas-Boas trabalhou com Robson e, posteriormente, passou para a equipa técnica de José Mourinho, que acompanhou no FC Porto, Chelsea e Inter de Milão.
A 13 de outubro de 2009, Villas-Boas “desprendeu-se” de Mourinho e assumiu a “Briosa”, que conseguiu manter na Liga, fazendo um trabalho suficientemente atrativo para despertar a cobiça de Sporting e FC Porto.


