Liga Zon Sagres: Três semanas de paragem. E competir, não?
Fosse Portugal um país gravemente afetado por condições climatéricas adversas durante o inverno e esta conversa nem faria sentido. Mas, como país mediterrânico, podemos regozijar-nos por possuir um dos solstícios de inverno mais agradáveis do continente europeu. Contudo, joga-se pouco futebol durante esta altura. Muito pouco!
Se em Inglaterra se exagera durante este período (jogos de três em três dias durante duas semanas), em Portugal os jogadores até podem tirar alguns dias de férias para passarem a quadra natalícia com os seus familiares. Compreendendo o calor e a importância de tal opção, não posso deixar de contestar o facto de se regressar a janeiro com uma eliminatória da Taça de Portugal.
O mesmo será dizer que, nos oitavos-de-final da competição, a maioria das equipas portuguesas passará três semanas sem disputar qualquer partida oficial. O Sporting, dado que está eliminado da Taça de Portugal, apenas jogará no reduto do Estoril-Praia, no próximo dia 11 de janeiro. Alguns dirão que os leões poderão ter mais tempo do que os seus adversários para recuperarem do período natalício, eu digo que não há nada como a competição.
Olhando para os restantes campeonatos europeus, Portugal é claramente o mais atrasado (apenas 14 rondas disputadas). A Alemanha parou na 17.ª jornada para uma forçada interrupção de inverno, Inglaterra vai na 20.ª ronda, Espanha e Itália seguem com o mesmo número de jornadas da Alemanha.
Mas, na Liga Zon Sagres, existe uma agravante. Fruto da paragem para compromissos internacionais e da insistência de se colocar a Taça de Portugal nos fins-de-semana exatamente contíguos a tal paragem, esta é a terceira vez que o campeonato se deixa de jogar por três semanas. Um absurdo para uma prova que se pretende interessante, contínua e competitiva.
Para aqueles que não concordam com o aumento do número de equipas na Liga Zon Sagres (compreendo as suas razões, mas gostava de ver uma primeira liga com pelo menos 18 participantes), talvez a solução passe por um campeonato com menos integrantes e a quatro voltas, como se faz na Suíça.
Uma coisa parece verdade absoluta para qualquer quadrante de opinião: encontrar mil e uma formas de se parar um calendário pouco atribulado para chegar ‘vivo’ até ao mês de maio está longe de ser a melhor opção. Deixar de jogar nunca foi solução: para treinadores, jogadores e amantes da modalidade. Mude-se esta situação!
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