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Há quase dois anos, em abril de 2012, perguntamos no nosso blogue se alguém queria a Taça da Liga. Fizémo-lo devido a uma convicção muito clara: quer os clubes quer os adeptos pareciam não valorizar a competição. Os primeiros preferiam disputar jogos do campeonato ou da Taça de Portugal. Os segundos preferiam ver essas mesmas duas competições.

A Taça da Liga está num ponto de não retorno?
A Taça da Liga está num ponto de não retorno?

Na altura identificamos um problema premente, mas com resolução: a ausência de um trabalho de envolvimento dos públicos e a necessidade de criar ligações relevantes entre estes e a prova. Hoje temos a suspeita de que esse trabalho, a existir, chegará demasiado tarde. Porventura, irremediavelmente tarde.

A reputação da Taça da Liga está nas ruas da amargura. Facto que não surge do nada, como não podia deixar de ser. Esta prova reflete o esvaziamento da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, por culpa própria, mas também alheia. À fraca e conturbada liderança de Mário Figueiredo junta-se uma Federação com tendências hegemónicas. Contudo, o problema é mais antigo, como já fizemos referência. E foi fortemente agravado pela polémica do atraso do jogo entre FC Porto e Marítimo.

Comecemos por esse mais recente episódio. Há vários dias que surgem notícias com todo o tipo de polémicas, acusações e rumores envolvendo o apuramento para as meias-finais de FC Porto ou Sporting. Ora, tudo isto representa uma confusão tremenda e uma série de imagens que se vão acumulando. E é assim que se formam as reputações. Neste caso, as más reputações. A permanência e a insistência de péssimas perceções redundam, inevitavelmente, em má fama. Isto porque, ontem como hoje, à mulher de César não basta ser séria. Também tem de o parecer.

E como é que a Liga tem lidado com a ‘má imprensa’ dos últimos largos dias? De forma quase inexistente. Quem marca a agenda são os clubes em causa. Sobretudo o Sporting, que tem sabido movimentar-se bem no campo de batalha que a comunicação também pode ser. Mário Figueiredo não existe nesse tabuleiro e a organização a que preside sai amplamente menorizada.

A Taça da Liga interessa a poucos. Basicamente, só se os jogos forem transmitidos na televisão é que as pessoas os veem. Isto denota ausência de empenho em relação à prova. Se compararmos as taxas de ocupação dos dois clubes já referidos, quer no campeonato quer na Taça da Liga, vemos uma diferença muito considerável. O Sporting tem, na I Liga, uma ocupação média de 66,82%. Este valor desce para os 32,80% na taça da polémica. No FC Porto vive-se uma situação semelhante: se o Estádio do Dragão regista uma ocupação média de 64,50% no campeonato, esse dado fica-se pelos 32,34% na Taça da Liga.

No que aos clubes diz respeito, a ausência de público e de um patrocinador relevante – como chegou a haver e que dificilmente regressarão com a má reputação que tem sido gerada – retiram a atratividade financeira ambicionada. A Taça da Liga só é notícia pelas piores razões. Uma vitória nesta competição é menorizada e as derrotas desvalorizadas. Só a polémica lhe dá vida. Mas essa não é uma pele em que se possa viver.

Nota: A fonte dos valores citados é o sítio da Liga Portuguesa de Futebol Profissional na Internet.

Este texto é resultado da colaboração semanal entre o Futebol 365 e o blogue marcasdofutebol.wordpress.com. Esta parceria procura analisar o desporto-rei a partir de um ângulo diferente: a comunicação.

Confira aqui tudo sobre a competição.

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