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A Câmara do Cartaxo vai pedir o estatuto de utilidade pública para o campo de futebol situado na Quinta das Pratas, tentando evitar a sua devolução e o pagamento de uma indemnização de 500.000 euros aos proprietários do terreno.

Cartaxo vai pedir utilidade pública para evitar devolução de campo
Cartaxo vai pedir utilidade pública para evitar devolução de campo

O presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, deu conhecimento ao executivo municipal, na segunda-feira, de que foi notificado pelo tribunal para, solidariamente com o município, “pagar 2.500 euros por mês e respetivos juros desde 31 de março de 2012, até à data de entrega do Campo da Quinta das Pratas”.

A ação movida agora pelos proprietários revela vontade de ativar no imediato o pedido de devolução do campo onde treinam e jogam as equipas do Sport Lisboa e Cartaxo feito em outubro de 2013, não deixando margem para a tentativa de acordo iniciada em dezembro pelo município.

Responsabilizando os seus antecessores, também eleitos pelo PS, um, Paulo Caldas, por ter assumido, em 2007, compromissos que o município “não tinha competência para cumprir” e outro, Paulo Varanda, por ter deixado terminar o contrato, em 2012, “sem encontrar solução para o problema que tinha sido criado”, Pedro Ribeiro considerou a situação “muito grave”.

O contrato assinado em 2007 incluía uma cláusula na qual o município se comprometia a indemnizar o proprietário em 500.000 euros, se até ao fim do contrato não tivesse alterado o Plano Diretor Municipal de acordo com interesses expressos do proprietário do terreno.

Para o autarca, “este é um compromisso que o município, presidido na altura pelo Dr. Paulo Caldas, não podia assegurar”, pois “a aprovação do PDM nem sequer depende da autarquia – tem de ser aprovado pela CCDR e pelo Conselho de Ministros – e, passados cinco anos, não avançou”.

Pedro Magalhães Ribeiro referiu as “inúmeras reuniões formais”, os “contactos informais” e os esforços desenvolvidos pela Câmara Municipal, pelos advogados de ambas as partes, pelos dirigentes do Sport Lisboa e Cartaxo e pelo presidente da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, sem que tenha sido possível chegar a um acordo com o proprietário.

Numa derradeira tentativa para manter o campo de futebol e evitar o pagamento da indemnização, o autarca já pediu uma reunião com caráter de urgência ao secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, para apresentar e fundamentar o pedido de estatuto de utilidade pública para o Campo das Pratas.

Como argumentos, autarcas e clube invocam o facto de o terreno ter mantido a mesma utilização durante as últimas décadas e ter sido sempre um campo desportivo, bem como “a grandeza do clube pela sua história e pela dimensão da sua formação” e o facto de nunca ter agido de má-fé para com o proprietário.

Independentemente da solução administrativa que vier a ser encontrada, Pedro Ribeiro afirmou ser necessário dar resposta às necessidades de caráter desportivo, “em especial no que respeita aos mais de 300 jovens que ali têm formação”.

O município dispõe de um Estádio Municipal, mas o autarca “receia” que não seja suficiente, tendo em conta a dimensão do clube, que “é dos maiores e mais relevantes no distrito” de Santarém.

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