Portuguesa apita futebol no Luxemburgo e já sabe como ignorar ofensas
Tânia Morais é a única mulher a arbitrar os escalões principais de futebol no Luxemburgo, onde aprendeu a ignorar impropérios e a fazer-se respeitar num mundo tradicionalmente masculino.
O gosto pela ‘bola’ vem de família, com Tânia a contar à agência Lusa como tem um irmão árbitro e um pai “um pouco fanático por futebol” e uma casa onde se continua a “adorar ver futebol ao fim de semana”
A portuguesa chegou ao Grão Ducado com oito anos, vinda de Seia e, pelos 17 anos, começou a jogar futebol, como guarda-redes, e meio ano depois acumulava com arbitragem. Quando chegou o momento de decidir, o apito foi o escolhido, porque dava mais perspetivas de carreira.
Agora, aos 33 anos, soma a profissão de fiscalista à de árbitro principal, o que nem sempre é fácil. No futuro, dentro do Luxemburgo, o objetivo é apitar a final da Taça, enquanto a “nível internacional é evoluir”.
“Estou atualmente na segunda categoria da FIFA, quero evoluir para a primeira e um dos maiores objetivos é poder estar num torneio final europeu ou mundial”, contou à Lusa.
Estando numa das atividades que deve ter o recorde de ofensas, Tânia Morais admite ter sido alvo de muitos impropérios, mas nada que a experiência não resolva.
“Se não forem dos jogadores, que são depois expulsos, se forem do público eu, passado um tempo, deixo de ouvir o que dizem. Levo na boa e não vou estar a fazer complicações. Mas é verdade que temos que saber aguentar muito”, admite.
Ser mulher não a isenta de fazer testes projetados para homens, o que, para a portuguesa, significa “trabalhar o dobro”, mas, no terreno de jogo, o que se mostra não tem distinção de sexo.
“Temos que ter caráter, tenho que mostrar que sei as regras e que as sei aplicar e que sei também interpretar o futebol. E quando veem que sabemos o que é futebol, acabam por aceitar muito mais facilmente [uma mulher árbitro]”, conclui.
E sim, assume que “de vez em quando é má para os jogadores”.
“Eu já tenho uma voz relativamente fina e quando começo a falar um pouco mais alto, de vez em quando ficam surdos”, graceja a árbitro para, logo depois, explicar que se impõe no relvado “sempre de uma maneira ‘fair-play’” e que mostra que não beneficia, nem prejudica equipas.
Aos convites para apitar em competições da Bélgica ou da Alemanha gostava de somar um de Portugal.
Certa é a sua presença hoje no relvado, como apresentadora, do jogo particular entre as seleções de futebol do Luxemburgo e de Portugal, ou sejas as suas duas nações.
Luxemburgo e Portugal defrontam-se, a partir das 20:30 (19:30 em Lisboa), num jogo particular agendado para o Estádio Josy Barthel.


