Euro-2016: «Portugal tem de apostar na qualidade técnica», Bruno Fernandes
O defesa Bruno Fernandes, que na última época jogou nos galeses Cefn Druids, diz que Portugal tem de apostar na qualidade técnica dos seus futebolistas para poder eliminar o País de Gales nas meias-finais do Euro2016.
“O cartão-de-visita do jogador português é a qualidade técnica. São jogadores que estão habituados a jogar ao mais alto nível, habituados a fases finais e é o momento de porem ao serviço da seleção todas as experiências que têm. São jogadores que têm uma responsabilidade. Chegando a esta fase e encontrando uma seleção que está pela primeira vez na sua história numa competição deste nível, a experiência de Portugal deve-se fazer ver desde o primeiro minuto”, referiu.
Para o experiente defesa de 37 anos, nascido em Lisboa, mas internacional pela Guiné-Bissau, esta “é uma grande chance de conseguir chegar à final e ganhá-la”, pelo que “Portugal não tem de ter medo”.
“Gostava de ver uma equipa que atacasse, que não se encolhesse, porque se Portugal ficar à espera do erro do Pais de Gales, pode pagar caro e, depois, pode ser muito difícil, porque se eles marcam primeiro pode ser muito complicado. Eles são bons na saída de bola, rápidos no contra-ataque. Portugal, a perder, vai ter de sair para a frente e, depois, pode ser apanhado no contrapé, mas penso que a qualidade técnica de Portugal tem de vir ao de cima”, referiu.
Bruno Fernandes considera que “jogadores como o Ronaldo sabem que o tempo começa a ficar curto para conseguir um grande título a nível europeu ou mundial pela seleção e viu-se isso nos penáltis contra a Croácia, quando foi buscar o Moutinho e disse tu vais marcar. Ele sabe o que quer, bem como todos os jogadores e o Fernando Santos”.
Sobre o ‘onze’, o antigo jogador do Belenenses espera que “Quaresma jogue a titular e faça um grande jogo”, juntamente com Nani, Ronaldo e Renato Sanches, além de ter um pedido especial.
“Pessoalmente, gostava de ver o Éder a jogar e a marcar golos pela seleção. Não sei se vai ser possível, mas era um desejo. Portugal tem sofrido com a falta de pontas de lança e acho que Ronaldo perde muito em jogar como ponta de lança”, afirmou.
A presença do País de Gales tem surpreendido muita gente e, para Bruno Fernandes, “só os jogadores e treinador, devido ao trabalho que têm vindo a efetuar nos últimos três, quatro anos”, acreditariam que poderiam chegar aqui, dizendo que os galeses podem ser “uma surpresa do estilo Leicester”, campeão inglês em 2015/16 contra todas as probabilidades.
“Muita gente dá crédito ao Gary Speed (antigo selecionador, que morreu há cinco anos), dizem que foi ali que se começou a montar a base da seleção, mas eu, pessoalmente, acho que muito do crédito é de (Chris) Coleman, pois conhecia muitos dos jogadores que estavam na ‘Premier League’. Ele é que os conseguiu trazer para a seleção e pô-los a jogar com aquela garra em termos defensivos”, referiu.
Salientando o “espírito de sacrifício” da equipa galesa, o defesa considera que ausência do castigado Aaron Ramsey “vai ser uma grande perda”, destacando ainda o “pulmão incansável” de Joe Alen e Gareth Bale, “que pode fazer a mossa e a diferença”.


