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O treinador Vítor Manuel, de 55 anos, ruma quinta-feira a Luanda para treinar o vice-campeão angolano de futebol, a equipa do 1º de Agosto, com o objectivo de conquistar o título daquele país.

Vítor Manuel parte à conquista do campeonato angolano
Vítor Manuel parte à conquista do campeonato angolano

“É a minha primeira experiência internacional. Claro que o objectivo é ser campeão, ser o melhor, mas com muito respeito pelos adversários. Sem menosprezo pelos outros, o 1º de Agosto é o maior clube de Angola”, referiu em entrevista à Agência Lusa.

Vítor Manuel explicou ainda que o 1º de Agosto rivaliza com o Petro em títulos conquistados (nove contra 13) e, para além destes dois colossos angolanos, há que contar com o Asa e com o actual campeão, o Inter, liderado pelo brasileiro Mozer.

O técnico conimbricense vai trabalhar durante dois anos naquele país e faz-se acompanhar por Vítor Bruno, como adjunto, e por Hélder Cruz, como treinador de guarda-redes.

Para além da conquista do título, a intenção de Vítor Manuel é, dentro dos seus conhecimentos, “disponibilizar também algum tempo para organizar o futebol de formação do clube”.

Como o campeonato de Angola começa apenas em Março, a equipa do 1º de Agosto vai estagiar em Rio Maior de 13 a 31 de Janeiro, período em que defrontará Rio Maior, Belenenses, Fátima, União de Leiria, Estrela da Amadora e Rapid de Bucareste.

“As datas estão ainda por confirmar. O objectivo é dar competitividade e ritmo à equipa e prepará-la para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões Africanos”, salientou o técnico.

Vítor Manuel é treinador desde 1984, ano em que comandou pela primeira vez a Académica, o seu “clube do coração”. Depois, liderou outras formações, como Penafiel, União de Leiria, Salgueiros, Leça, Belenenses, Sporting de Braga e União da Madeira.

“Desempregado” há três anos, depois de uma curta experiência no União da Madeira, com problemas de coração à mistura, tem sido companhia de noites ou tardes no canal SporTV a comentar jogos da Liga portuguesa de futebol ou da Liga de Honra.

Questionado se se sentia a mais como treinador em Portugal, Vítor Manuel desabafou ao seu jeito, dizendo que não era caso virgem, referindo-se a outros “emigrantes”, como Nelo Vingada, José Romão e mais recentemente Toni.

“Em Portugal, a experiência e o currículo por vezes não contam. As coisas não se passam assim. Portugal tem muitos treinadores e não há lugares para todos. Treinar lá fora também era um sonho, um objectivo. Angola foi o mais rápido e vou com muito gosto”, realçou.

Quanto à “sua” Académica, Vítor Manuel reconheceu que é um clube muito especial para si, mas neste momento, e como profissional, só pode desejar a melhor sorte do mundo e desligar os sentimentos que o prendem para sempre ao emblema “estudantil”.

“A Académica é o meu clube do coração. Representa muito para mim, mas, como profissional de futebol, só posso desejar ao meu colega Domingos Paciência que tenha muita sorte e que recupere no campeonato, aliás o que está a acontecer. Não tenho nenhum ressentimento de não ter voltado a treinar a Académica, mas nunca digo nunca a nada. No entanto, não estou obcecado por isso”, concluiu.

LUSA

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