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Alguns desenvolvimentos dos últimos tempos deviam recordar-nos que estamos a viver uma realidade que seria impensável nos anos 50 e 60, quando os clubes eram sustentados pelo número dos seus adeptos e respetiva capacidade económica.

Futebol profissional: um futuro virtual, sem adeptos?
Futebol profissional: um futuro virtual, sem adeptos?

Na presente década, descobrimos que o Moreirense FC venceu uma Taça da Liga e o CD das Aves uma Taça de Portugal. Estes clubes estão baseados em duas freguesias dos concelhos de Guimarães e Santo Tirso, respetivamente; Moreira de Cónegos tem cerca de 5000 habitantes e a Vila das Aves cerca de 8000. Os seus feitos desportivos, bem como a continuada permanência na Primeira Liga, não podem estar ligados às vendas de bilhetes, cachecóis, camisolas ou patrocínios. Poderia explicar-se com uma geração de atletas extraordinários, mas não é o caso. Trata-se de clubes com SAD que têm mostrado boas capacidades de gestão.

Esta época, atingimos um paroxismo evidente ao descobrirmos que os clubes que derrotaram o Benfica para o campeonato são o referido Moreirense e o Belenenses SAD, uma equipa virtualmente sem adeptos pois aparentemente (e é certo que esta alegação pode ser infundada, pois não há sondagens oficiais) os adeptos do Belenenses seguiram o presidente do clube, Patrick Morais de Carvalho, e a sua equipa dos Distritais a jogar no Restelo, abandonando Rui Pedro Soares e a SAD a jogar no Jamor.

Parece evidente que os adeptos se tornaram uma componente irrelevante para o sucesso desportivo no futebol. A exceção é constituída pelos Três Grandes, bem como pelos grandes clubes a nível europeu. Mas será que os Três Grandes vão fugir à tendência?

Os adeptos portugueses da Juventus

O futuro do futebol poderá caminhar para uma progressiva virtualização. As [link]https://br.netbet.com/[a]apostas[/a] desportivas são cada vez mais uma fonte de rendimentos a considerar. Há quem diga que os clubes profissionais prefeririam obter rendimentos através das apostas desportivas do que através da venda de bilhetes; tendo em conta que ela já é pouco relevante, que comporta custos (polícia, etc.) e que ainda por cima os adeptos não toleram as derrotas, não seria melhor jogar à porta fechada, e só para um público de apostadores chineses e de outras nacionalidades, anónimos, a acompanhar o jogo através de uma qualquer plataforma de apostas?

Parece uma distopia do futuro, mas [link]https://www.publico.pt/2018/10/29/desporto/noticia/sad-vai-recorrer-continuar-usar-nome-belenenses-1849284[a]o caso Belenenses Clube versus Belenenses SAD[/a] é igualmente distópico.

De resto, é possível que o futebol, que começou por ser um fenómeno local e se tornou gradualmente nacional, possa vir a tornar-se cada vez mais transnacional e globalizado. Quando os grandes clubes europeus se “fecharem” numa Superliga Europeia, será que os adeptos dos Três Grandes e de outros “Grandes” nacionais, na Europa e no mundo, vão continuar a dedicar a mesma atenção ao “futebolzinho” nacional?

O certo é que nunca como esta época se viram tantos adeptos da Juventus nas ruas, em Portugal. Isso demonstra como os ídolos internacionais podem ter a capacidade de retirar força aos símbolos nacionais do antigamente.

Tudo isto pode ser especulação, mas quem escrevesse, em 1960, que um dia clubes quase sem adeptos poderiam vencer o Benfica para o campeonato, que haveria dois Belenenses e as crianças iriam preferir vestir uma camisola da Juventus por lá jogar o melhor jogador do mundo (português) diria também que isso seria altamente especulativo…

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