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Alguns dos capitães das equipas das competições profissionais de futebol apoiaram hoje a possibilidade da realização de uma greve geral devido aos salários em atraso e pediram maior rigor nas inscrições dos clubes.

Greve Geral: Capitães apoiam medida e pedem maior rigor nas inscrições
Greve Geral: Capitães apoiam medida e pedem maior rigor nas inscrições

O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais do Futebol (SJPF), Joaquim Evangelista, lançou quarta-feira a hipótese da realização de uma greve geral, que impedisse o início da próxima temporada, caso o problema dos salários em atraso não seja resolvido.

O Estrela da Amadora, que quarta-feira cancelou a greve marcada para o encontro com o FC Porto, é o caso mais mediático de salários em atraso, embora Evangelista tenha dito que há mais clubes com situações idênticas.

O primeiro a lançar o repto foi Nuno Gomes, do Benfica, que, em relação ao problema do Estrela da Amadora, disse que, se a mesma situação ocorresse em Itália, ”os jogadores uniam-se por esse problema e impediam que o campeonato continuasse”.

Hugo Carreira, jogador dos ”tricolores” e um dos 14 capitães de equipa que acederam falar à Agência Lusa, referiu que ”tem de ser tomada uma medida por parte das instâncias competentes” e que ”a paralisação geral é uma medida”.

”Se for uma greve geral, entramos no mesmo rol. Se fossem os grandes a tomar a iniciativa da paralisação, os outros acabavam por ir atrás. Em Espanha, temos o exemplo do Raul (Real Madrid), que é um jogador com muito peso e faz parte do sindicato. A classe é muito unida e aqui também devia ser”, referiu.

O Estoril-Praia tem um salário em atraso e o capitão Marco Bicho garante que ”todos os profissionais do clube estão disponíveis para uma greve geral no início da próxima época”.

”Acho que o único caminho que a Liga e a FPF têm para acabar de vez com o problema dos salários em atraso é alterar os regulamentos. O presidente do sindicato, Joaquim Evangelista, já está a contactar os capitães de equipa e, se as normas não forem alteradas, os campeonatos vão paralisar”, adiantou.

O capitão do Leixões, Bruno China, considera que ”tem de se tomar alguma medida colectiva”, lembrando que ”no passado houve várias ameaças de greve nos clubes, por isso agora tem de haver uma atitude colectiva”.

O experiente Niquinha, do Rio Ave, considera ”positiva” a proposta de Joaquim Evangelista e que a greve geral já deveria ter acontecido ”há muito mais tempo”, considerou o veterano jogador brasileiro em declarações prestadas hoje à Agência Lusa.

”Amanhã ou depois pode ser outra equipa e voltamos atrás novamente no processo, que poderia ter sido resolvido se todos tivessem optado por uma só solução”, referiu o capitão vilacondense.

Silas, capitão do Belenenses, diz que, ”no caso das instituições não fazerem nada”, terão de ser ”os jogadores a parar os campeonatos para se resolver uma situação que não pode existir”.

”Nem percebo como uma equipa se inscreve e que tipo de garantias dá. Se for preciso fazer greve, teremos de lutar pela nossa classe. O que está em causa não é só os ordenados em atraso. É também a classe e o futebol”, referiu.

O capitão da Académica, Pedro Roma, diz que o caminho pode não ser a greve, mas ”as medidas a tomar têm de ser fortes no sentido de preservar os direitos dos jogadores”, considerando que ”tem que haver mais rigor na inscrição dos clubes e penalização para quem não cumpre, à semelhança de outras ligas”.

”Concordo com a posição do Sindicato e estou pronto para dar a cara, se isso for necessário, no sentido de ajudar a colocar um travão num problema. Segundo sei, há países com uma legislação implacável para com situações como estas”, afirmou Pedrinha, capitão do Paços de Ferreira.

Paulão, capitão da Naval 1º de Maio, diz que ”é um assunto que tem feito parte das conversas e balneário”, garantindo que ”a greve é possível como forma de impor respeito pelos profissionais de futebol”, mas poderá ”colocar em causa a verdade desportiva”.

”Qualquer iniciativa só peca por tardia. Mas é preciso que isto seja feito de uma forma séria, honesta e sem demagogias, envolvendo os jogadores com mais impacto. Não sou eu ou o capitão do Barreirense que vamos fazer a diferença”, afirmou Alexandre, capitão do Varzim, que criticou Evangelista por lançar a ideia de uma greve ”sem falar com os jogadores”.

Rui Duarte, do Olhanense, considera esta é ”uma boa medida”, principalmente ”se a situação se arrastar”, afirmando que ”é completamente inadmissível que os clubes façam orçamentos sem terem nada planeado” e que ”o futebol tem de ser gerido de outra maneira”.

”Estou solidário. É o momento de serem tomadas decisões contra a situação de incumprimento. É inglório trabalhar todos os dias e lutar nos jogos por um resultado favorável e chegar ao fim do mês não receber o ordenado”, afirmou João Pedro, capitão do Gil Vicente.

Fernando, vice-capitão da União de Leiria, considera a greve geral ”uma posição radical” e ”a última medida a ser tomada”, referindo que ”a culpa maior é de quem fiscaliza e organiza os campeonatos”.

”Estou 100 por cento de acordo com o Sindicato e estarei na linha da frente para defender os interesses dos profissionais de futebol. Chegou um momento em que os jogadores têm de dizer basta. Se ganhássemos ao nível dos grandes, podia dar para aguentar uns dois ou três meses, mas, assim, não dá”, referiu Bock, capitão do Freamunde.

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