Vítor Pereira revela convites de Sporting e Benfica durante passagem pela China
O treinador Vítor Pereira revelou no domingo ter sido sondado por representantes de Sporting e Benfica para treinar os dois rivais lisboetas da I Liga de futebol durante a passagem pelo comando técnico dos chineses do Shanghai SIPG.
“Não posso dizer que fui abordado diretamente pelos presidentes. Se foi em representação de ambos? É natural. No futebol nunca sabemos o que é verdade ou mentira. Muitas vezes, o agente liga e diz que tem um clube, mas não se anda para a frente”, partilhou o técnico, em entrevista ao programa “Trio D’Ataque”, da RTP3.
Sem “colocar de parte” um eventual regresso ao futebol português, sempre na ótica de abraçar “projetos para títulos” com FC Porto, Benfica ou Sporting, o treinador luso admite que “não [lhe] passa pela cabeça” interromper agora uma fase laboral vivida além-fronteiras.
“Se aceitaria treinar Sporting ou Benfica? Claro que sim. Tenho muita gratidão ao FC Porto, mas sou treinador profissional de futebol. Cheguei aqui há um mês e pico e já recebi vários convites. Em alguns sinto que, se quiser, posso avançar. Algum vindo do futebol inglês? Se assim fosse, provavelmente já teria ido a alguma reunião”, contou.
Vítor Pereira, de 52 anos, abandonou o Shanghai SIPG em dezembro, na sequência de três anos marcados pela conquista de um campeonato (2018) e uma Supertaça da China (2019) e culminados com meses repletos de incerteza devido à pandemia de covid-19.
“Este ano foi muito complicado. Sinceramente, em toda a minha carreira, foi o período em que menos me senti treinador. Não estando definidos objetivos na nossa cabeça e não tendo adversário para jogar, é o deixar passar e o deixar correr, sempre na expectativa de que chegasse uma informação de que o vírus estivesse controlado”, recordou.
Num campeonato de formato remodelado, o Shanghai SIPG venceu o grupo B da fase regular, com 32 pontos, mas falhou o acesso à final, ao perder nas meias-finais do ‘play-off’ com o futuro vencedor da prova Jiangsu Suning (3-2 no conjunto das duas mãos).
“No ano passado, por esta altura, já não tinha muita intenção de voltar à China, porque foi um ciclo de três anos e tinha ido para lá com a intenção de ficar um ano. As coisas correram bem, eu oscilei e acabei por renovar sempre ano a ano. Não queria ter de indemnizar o clube caso não me sentisse motivado no final do primeiro ano”, sustentou.
Apesar da pausa na carreira, o ex-treinador de FC Porto e Santa Clara mostrou-se atento ao futebol português e defendeu que a ausência de público nos estádios “foi positiva numa perspetiva de consolidar” o Sporting, líder invicto da I Liga, com 39 pontos em 15 rondas.
“Por estar muitos anos sem ganhar o título, o Sporting criou nos adeptos uma certa ansiedade, que passava muitas vezes para a equipa. O Rúben Amorim conseguiu agregar e, neste momento, tenho a certeza de que ir a Alvalade com o estádio cheio teria um impacto emocional positivo. Contudo, eu não sei como é que estes miúdos formados no Sporting reagiriam ao impacto que esta multidão teria sobre eles”, analisou.
Sobre o clube pelo qual festejou um tricampeonato entre 2010 e 2013, tendo sido técnico adjunto de André Villas-Boas na primeira época, Vítor Pereira projetou Sérgio Conceição como a imagem de marca do campeão nacional, segundo colocado, com 35 pontos.
“Conhece bem o clube por dentro e o espírito. Costumo dizer que só conseguimos entusiasmar se estivermos entusiasmados. Essa exigência que se cria, além do discurso emocional e agressivo, é característico do ADN do clube. O Sérgio tem ali características que são o ADN do FC Porto. Valoriza muito os aspetos defensivos e não há dúvida nenhuma de que, para se conseguir títulos, é preciso defender bem”, vincou.
Com passagens por Al-Ahli Jeddah (Arábia Saudita), Olympiacos (Grécia), Fenerbahçe (Turquia) e TSV 1860 Munique (Alemanha), o treinador espinhense saiu em defesa de Jorge Jesus num regresso atribulado ao Benfica, que segue em terceiro, com 33 pontos.
“Não acredito que seja menos competente, mas pode ter momentos de maior cansaço. O Benfica está a cometer erros, mas ele tem tido tempo para trabalhar? Posso mostrar vídeos, mas os erros só se corrigem no treino. Tem tido falta de tempo de trabalho. Podemos apontar uma ou outra coisa, mas não me venham dizer que não sabe trabalhar a tática e o pormenor. Já vi as equipas dele defenderam como um relógio”, frisou.
Além dos títulos ao leme do FC Porto, incluindo duas Supertaças Cândido de Oliveira (2011/12 e 2012/13) e um campeonato nacional de iniciados (2004/05), Vítor Pereira foi um dos técnicos lusos a festejar a ‘dobradinha’ pelos gregos do Olympiacos (2014/15).
“Defini sempre muito mais estar numa Liga dos Campeões e querer ganhá-la, porque penso que se trata do ponto mais alto da carreira de um treinador. O selecionador não tem o treino todos os dias e aquilo que me alimenta é ter de criar todos os dias. Acho que a seleção está muito bem entregue e vai continuar assim durante uns anos”, concluiu.


