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Bwin diz que tribunal europeu ignorou capacidade de regulação de operadores «sérios»

A empresa de apostas online Bwin considera que o Tribunal de Justiça Europeu ignorou, no acórdão de hoje favorável a Portugal e à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que ”operadores privados sérios” conseguem controlar os jogos na Internet.

Bwin diz que tribunal europeu ignorou capacidade de regulação de operadores «sérios»
Bwin diz que tribunal europeu ignorou capacidade de regulação de operadores «sérios»

O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias decidiu hoje a favor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e contra a empresa de apostas online Bwin, que pretendia operar em Portugal.

Em comunicado, a Bwin sublinha, também, que ”a decisão de hoje demonstra, uma vez mais, que é indispensável uma regulamentação actual dos jogos de fortuna e de azar on-line para a protecção dos consumidores”.

Semelhante opinião tem a Associação Europeia dos Jogos e Apostas (EGBA, na sigla inglesa), que reagiu em conferência de imprensa, em Bruxelas, à decisão do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias contra a Bwin e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

”Várias jurisdições na UE provam já que é possível garantir um elevado grau de defesa do consumidor e, ao mesmo tempo, ter um mercado de jogo online bem regulado e competitivo”, disse a secretária-geral da EGBA, Sigrid Ligné.

A EGBA, de que a Bwin é membro fundador, sublinhou ainda que ”o caso tem apenas que ver com um processo a decorrer num Estado-membro”.

”O caso de Portugal nada tem a ver com os dez processos de infracção a decorrer na Comissão Europeia”, sublinhou, considerando que a decisão de hoje não terá qualquer influência neles.

Por seu lado, a Associação Europeia de Lotarias do Estado considerou que a decisão do tribunal com sede no Luxemburgo é uma ”grande vitória” ao garantir a exclusividade das entidades estatais na oferta de jogos de azar na Internet.

Com a decisão de hoje, a Bwin fica impedida de publicitar as suas actividades em Portugal e de ter um domínio PT na Internet.

A EGBA indicou que vai recorrer, invocando uma questão técnica: a falta de notificação à Comisão Europeia da legislação portuguesa que concede o monopólio do jogo à Misericórdia de Lisboa.

No acórdão de hoje, o tribunal europeu admite que a proibição de operadores como a Bwin pode ser considerada justificada com o combate à fraude e à criminalidade e, por conseguinte, ser compatível com o princípio da livre prestação de serviços.

O texto assinala ainda o risco de um operador que ”patrocina certas competições desportivas sobre as quais aceita apostas e certas equipas que participam nessas competições se encontrar numa situação que lhe permite influenciar, directa ou indirectamente, o resultado e assim aumentar os seus lucros”.

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