Liga Sagres: Cardozo descobriu o valor do pé direito no último dia
De pé esquerdo ou de cabeça, de bola corrida ou parada, Oscar Cardozo marcou golos para todos os gostos na Liga portuguesa de futebol 2009/10, mas foi com o ”esquecido” direito que se sagrou melhor marcador, com 26 golos.
O paraguaio do Benfica esperou 29 jogos para utilizar com êxito o seu pior pé. Quando o fez, na 30.ª e última jornada, perante o Rio Ave, arrumou definitivamente a questão do título de campeão e chamou a si o estatuto de ”artilheiro” do campeonato, negando o privilégio ao colombiano Falcão, do FC Porto, que fechou com 25.
Jogador de movimentos lineares, essencialmente homem de área, com 1,93 metros de altura para quase 90 kg, o internacional paraguaio, de 27 anos, foi quem mais ”lucrou” com o espírito ofensivo imposto pelo treinador Jorge Jesus, numa equipa que marcou 78 golos.
A sua terceira época em Lisboa foi a melhor. Marcou o dobro dos golos alcançados em 2007/08, no mesmo número de partidas, e fez mais nove no que na temporada passada, na qual alinhou em 26 encontros.
”Tacuara”, designação indígena de uma cana alta e forte que cresce em montanhas paraguaias, é a alcunha do sólido ponta de lança do Benfica, que se estreou a marcar na terceira jornada, frente ao Setúbal – com o primeiro de quatro ”hat-tricks” – e voltou a fazê-lo em mais 15 jogos.
Dos seus 26 golos, 19 foram marcados com o habitual pé de serviço, o esquerdo – do qual saíram sete grandes penalidades convertidas -, seis foram apontados de cabeça e apenas um, mas garantidamente saboroso, de pé direito.
Sucessor do brasileiro Nené, Cardozo é o goleador do campeonato com mais tentos dos últimos oito anos, desde que outro brasileiro, Jardel, marcou 42 ao serviço do Sporting, em 2001/02. Neste historial, é preciso recuar a 1995/96 para encontrar um português como melhor marcador e descobrir o nome de Domingos Paciência, então avançado do FC Porto e atual treinador do Sporting de Braga.
Radamel Falcão, que também ”bisou” na última ronda, na vitória do FC Porto, campeão cessante, sobre a União de Leiria (4-1), no sábado, lutou até aos últimos instantes pelo ”título” de melhor marcador, mas faltou-lhe um.
Exemplo de adaptação perfeita ao futebol português na sua primeira época no clube ”azul e branco”, o colombiano alinhou em 28 partidas e marcou em 18 delas, mostrando uma versatilidade superior à do benfiquista.
Os movimentos rápidos e inesperados que lhe dão uma especial capacidade de antecipação são talvez a grande arma do colombiano, de 24 anos, e explicam os nove golos apontados de cabeça, apesar da estatura média (1,75 metros, para 75 kg).
Com um leque de soluções mais alargado, Falcão – um batismo em homenagem ao médio internacional brasileiro com o mesmo nome que brilhou no anos 80 do século passado – apontou 11 golos de pé direito, incluindo três de grande penalidade, e cinco com o esquerdo, para completar uma grande estreia na Liga portuguesa.
Veterano do campeonato luso, o brasileiro Liedson viveu uma época de apagamento à imagem do Sporting. Mesmo assim, deixou a sua marca, com 13 golos, que fazem dele o terceiro melhor marcador da Liga, depois de ter sido o ”rei” nas temporadas de 2004/05 e 2006/07.
Aos 32 anos, Liedson cimentou o estatuto de melhor marcador no campeonato do século XXI, com 111 golos, no ano que adquiriu nacionalidade lusa e se estreou pela seleção. Do ”Levezinho”, Portugal espera golos no Mundial da África do Sul.


