Mundial 2010: Apesar de trabalhar com a Costa do Marfim o coração não se divide, garante Toni
O ex-capitão da seleção portuguesa Toni garantiu hoje que, apesar de trabalhar para a selecção da Costa do Marfim como observador, o seu coração português não se divide.
“Para mim esta questão já foi ultrapassada mas quero esclarecer algumas coisas, a primeira das quais é que a primeira pessoa a quem telefonei quando recebi o convite para trabalhar com Eriksson foi a Carlos Queiroz, com quem tenho uma longa relação de amizade”, esclareceu Toni.
No “quartel-general” da Costa do Marfim, em Vanderbijlpark, onde se encontra na companhia de alguns elementos do staff técnico marfinense depois da partida da seleção para Port Elizabeth, onde amanhã defronta Portugal, Toni salientou, em entrevista à Lusa, que, em devido tempo, explicou a Queiroz que fora convidado para fazer parte da equipa técnica de Sven Goran Eriksson, perguntando-lhe se o selecionador português já tinha escolhido a sua equipa completa.
“O que é curioso é que, na sequência do convite do Eriksson, a federação da Costa do Marfim inicialmente não me queria aceitar por a seleção portuguesa estar no mesmo grupo da sua, por eu poder vir a ser um espião”, revelou Toni, afirmando que a sua admissão só se confirmou depois de Eriksson “fazer força” nesse sentido.
“Quando este convite surge e eu tinha razões que me levaram a aceitá-lo, designadamente a relação de amizade que tenho há 27-28 anos com o Eriksson, a perspetiva de viver pela primeira vez um Mundial por dentro e em terceiro lugar as perspetivas de trabalho que podem surgir na sequência desta primeira colaboração com o Erikson”, explicou o técnico português.
Para Toni, ser observador dos adversários da Costa do Marfim é fazer parte de uma equipa vasta e muito técnica, com quem já até aprendeu muito.
“Com os gráficos e estatísticas de um dos membros da equipa de Eriksson fiquei a saber por exemplo quantas vezes Cristiano Ronaldo remata para a direita e para a esquerda dos guarda-redes adversários, coisa que nunca me tinha passado pela cabeça em termos estatísticos”, referiu o técnico, que garante que Queiroz saberá tanto da Costa do Marfim, graças aos assessores com quem trabalha, como Eriksson sabe de Portugal.
Sobre os grandes favoritos do Grupo G à passagem à segunda fase, Toni afirmou-se convencido de que “a Coreia do Norte irá roubar pontos a alguém” e que as seleções que perderem o primeiro jogo “ficarão com menos handicap de passagem”.
Mas salienta que a Costa do Marfim tem um calendário bem pior:
“Daí que este jogo (Portugal-Costa do Marfim) seja um jogo que determinará muito das carreiras destas duas seleções. Ou talvez não! Penso que especialmente para a Costa do Marfim, uma derrota contra Portugal porá em perigo a passagem porque o segundo jogo é contra o Brasil e a Costa do Marfim parte, frente ao Brasil, para um jogo do tudo ou nada”.
“Portugal-Brasil é o último jogo e isso significa que em termos de calendário ele é mais favorável a Portugal do que à Costa do Marfim”, concluiu Toni.


