Cabo-verdianos em Brasília festejam qualificação inédita
Cabo Verde qualificou-se pela primeira vez para a fase final de um Mundial de seleções, ao bater a Essuatíni por 3-0.
A comunidade cabo-verdiana em Brasília celebrou hoje efusivamente a primeira qualificação na história do país para um Campeonato do Mundo de futebol, num feito que consideram ser o equivalente “ao penta” conquistado pelo Brasil.
“A ficha ainda não caiu”, disse à Lusa Cláudio Monteiro, cabo-verdiano radicado em Brasília há 19, poucos minutos depois triunfo frente a Essuatíni, por 3-0, na Praia com golos de Dailon Livramento, aos 48 minutos, Willy Semedo, aos 54, e Stopira, aos 90+1, que deram a vitória ‘tubarões azuis’ e que asseguraram o primeiro lugar do agrupamento, com 23 pontos, mais quatro do que Camarões.
Cláudio Monteiro foi um dos mais de 20 cabo-verdianos que não quiseram deixar de apoiar a sua seleção nacional na Embaixada de Cabo Verde em Brasília, que se tornou demasiado pequena para tanta euforia.
“É uma sensação que a gente não sabe explicar, eu acho que se for comparar com o Brasil, é a sensação do Brasil ganhar penta”, sublinhou Cláudio Monteiro, referindo aos cinco títulos do Campeonato do Mundo de futebol conquistados pelo Brasil.
Maria Gouretti Lima, funcionária diplomática na embaixada cabo-verdiana há três, uma das mais efusivas com esta histórica classificação conseguiu resumir em poucas palavras o sentimento de um pequeno país de 10 ilhas que hoje se agigantou: “é o sonho de um país inteiro, que se concretizou hoje”, disse.
“Apesar de longe, estamos perto. É especial, sim, porque isso mostra que uma pequena nação, um pequeno país como nós, podemos sonhar e atingir os objetivos”, frisou.
Já para Júlio César, radicado há mais de 10 anos Brasília o sentimento, disse à Lusa, é ainda mais especial: é sobrinho do internacional cabo-verdiano Nelo Tambarina possante defesa central que jogou em vários clubes do país.
“Desde a minha tenra idade, aos 05 anos de idade, ele me levava para o estádio”, recordou.
“E hoje, anos depois, vendo isso se concretizando, eu posso dizer que ele pavimentou isso”, disse, emocionado, recordando a vitória em 2000 da Taça Amílcar Cabral, por 1-0, frente ao Senegal no Estádio da Várzea.
“Nós também amamos o futebol, do mesmo tamanho que o brasileiro, que o português, que o inglês”, garantiu.
Cabo Verde, composto por 10 ilhas, tem uma diáspora de cerca de 1,5 milhões de pessoas, o triplo dos residentes no arquipélago, distribuídos sobretudo pela Europa e pelos Estado Unidos.
Os ‘tubarões azuis’ souberam aproveitar e recrutar muitos jogadores ‘filhos da diáspora’ para a sua equipa nacional, num reforço que é chamado de “a 11.ª ilha”
“Eu sinto-me de lá e sou de lá, mas de facto eu sou da diáspora e eu acho que essa classificação, essa seleção veio mostrar que Cabo Verde deve valorizar mais a diáspora”, sublinhou Cláudio Monteiro.
“Cabo Verde sempre teve uma política de aproximação com os seus filhos que vivem na diáspora, que são cabo-verdianos para todos os efeitos, podem ter outras nacionalidades, podem até ter nascido no exterior, mas são cabo-verdianos”, enfatizou Maria Gouretti Lima.
Depois da confirmação do Brasil e de Cabo Verde, falta agora Portugal confirmar o seu bilhete para o evento que arranca dia 11 de junho de 2026 e que será sediado pelos Estados Unidos, Canadá e México.
Cabo Verde sempre torceu por Portugal, por todos os países lusófonos próximos, como Portugal e o Brasil, e esperamos que nessa, que é a maior de todas, vocês também estejam”, disse.


