Polícia catalã investiga cânticos xenófobos no Espanha-Egito
Polícia catalã investiga incidentes no RCDE Stadium. Governo, federação e jogadores condenam episódios de xenofobia durante amigável em Barcelona.
A polícia da Catalunha abriu um inquérito na sequência de “cânticos islamófobos e xenófobos” registados durante o jogo amigável entre Espanha e Egito, disputado na terça-feira, em Barcelona. O caso está a gerar forte polémica e levou já a várias reações de condenação por parte de dirigentes políticos, responsáveis do futebol e jogadores.
Segundo foi anunciado pelas autoridades catalãs, a investigação incide sobre os comportamentos registados no RCDE Stadium, palco do encontro de preparação para o Mundial 2026. Durante o jogo, que terminou com um empate sem golos, foram ouvidos cânticos discriminatórios em várias ocasiões, depois de já antes do apito inicial se terem registado assobios durante o hino do Egito.
No final da partida, tanto jogadores como a equipa técnica da seleção espanhola manifestaram repúdio pelos acontecimentos. O selecionador Luis de la Fuente foi claro ao expressar “total e absoluta repulsa por qualquer atitude racista, xenófoba e de falta de respeito”, classificando como “intoleráveis” os cânticos dirigidos à comunidade muçulmana. Ainda assim, destacou que “a grande maioria do estádio vaiou os indivíduos indecentes que tiveram essa atitude”.
Também Pedri, médio do FC Barcelona, sublinhou a necessidade de combater este tipo de comportamentos: “Temos todos de nos ajudar uns aos outros para que os cânticos racistas sejam erradicados dos campos de futebol”.
A reação dos jogadores incluiu ainda Lamine Yamal, que abandonou o relvado imediatamente após o apito final, sem cumprimentar as bancadas. O jovem internacional espanhol, de religião muçulmana, recorreu posteriormente às redes sociais para condenar os incidentes, considerando-os “uma falta de respeito e algo intolerável”. “Usar a religião como motivo de chacota num campo faz de vocês pessoas ignorantes e racistas”, escreveu, agradecendo, contudo, o apoio dos adeptos que marcaram presença.
Críticas políticas e resposta das autoridades ao incidente
No plano político, as críticas também se fizeram ouvir. O conselheiro do Desporto do governo regional da Catalunha, Berni Álvarez, mostrou indignação com a resposta das autoridades desportivas durante o encontro. “À medida que se sucediam os acontecimentos, senti muita indignação por ver que não se adotava nenhuma ação”, afirmou, revelando que, ao intervalo, contactou responsáveis da federação espanhola e catalã para exigir a ativação dos protocolos antirracismo.
Na sequência desse pedido, foi exibida nos ecrãs do estádio uma mensagem a recordar que a legislação proíbe comportamentos violentos, xenófobos, homofóbicos ou racistas. Ainda assim, para Berni Álvarez e outras vozes críticas, a resposta foi considerada tardia e insuficiente, lembrando que os protocolos em vigor preveem mesmo a interrupção dos jogos em situações desta natureza.
O Governo espanhol também reagiu com firmeza. O ministro da Presidência e Justiça, Félix Bolaños, afirmou que “os insultos e cânticos racistas envergonham-nos como sociedade”, numa mensagem publicada nas redes sociais.
Por seu lado, o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Rafael Louzán, condenou os episódios, incluindo os assobios ao hino egípcio, embora tenha classificado o sucedido como “um incidente isolado que não deve voltar a acontecer”.


