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Seis meses após o Mundial2010, a África do Sul questiona se valeu a pena o investimento nos estádios de futebol, agora vazios, depois de um mês de euforia em que sul-africanos e turistas compuseram as bancadas dos recintos.

Mundial 2010: Seis meses depois da euforia, os estádios estão vazios
Mundial 2010: Seis meses depois da euforia, os estádios estão vazios

Entre 11 de junho e 11 de julho, a competição levou à África do Sul perto de 300.000 visitantes e adeptos de futebol, que foram acolhidos com o entusiasmo de uma nação numa ilusão de fraternidade multirracial.

Os estrangeiros gastaram cerca de 400 milhões de euros no país, impulsionando a economia sul-africana, que cresceu 3,0 por cento em 2010, depois de uma contração de 1,9 por cento em 2009.

Citado pela agência AFP, Gillian Saunders, do gabinete de auditoria Grant Thronton, afirmou que sem o Mundial “o país teria sofrido muito mais no período de recuperação pós-recessão” e a organização do Campeonato do Mundo “deu a todos um sentimento de orgulho nacional e confiança nas capacidades” do país.

“O país ganhou algum dinheiro, mas muito menos do que o esperado”, referiu Mike Schussler, diretor da empresa de consultoria Economists.co.za, lembrando que a África do Sul contava com meio milhão de visitantes.

O ramo empresarial está, por seu turno, descontente com os resultados do evento. Dos 100 maiores clientes do grupo KPMG, só 22 por cento consideram que beneficiaram com o Mundial. Um ano antes as percentagens eram bem superiores, pois 45 por cento acreditava que o Mundial iria ter um impacto positivo.

A África do Sul investiu 4000 milhões de euros na organização do Mundial, para erguer 10 estádios em nove cidades, renovar as vias de comunicação e montar o dispositivo policial.

Seis meses depois, alguns estádios como o Soccer City de Joanesburgo, encontraram uma alternativa acolhendo jogos internacionais de râguebi, de futebol e um concerto da banda irlandesa U2.

Mas, pelo contrário, estádios como o de Port-Elizabeth, onde Portugal defrontou a Costa do Marfim, ou o de Polokwane não albergaram nenhum grande evento desde julho.

O ministro do Turismo, Marthinus van Schalkwyk, prefere, no entanto, valorizar o efeito do Mundial2010 a longo prazo: “Nunca foi somente uma questão de organizar a competição, mas também deixar uma herança, nomeadamente em termos de imagem”, afirmou, também citado pela AFP.

“Hoje em dia há um grande interesse na África do Sul”, sublinhou por seu turno, Michael Tatalias, diretor da Associação de Turismo da África Austral, acrescentando: “Mas o interesse nem sempre se materializa. Não podemos descansar sobre os louros. O trabalho tem de continuar”.

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