José Mourinho é o «mestre» e André Villas-Boas o «discípulo»
O José Mourinho é o “mestre” e Villas-Boas o “discípulo”, afirmou o professor Manuel Sérgio em Macau ao salientar que, mesmo assim, o treinador do Real Madrid é “inimitável” e tem um carisma próprio.
Entre os dois treinadores, Manuel Sérgio separa águas e salienta que Villas-Boas “é capaz de fazer um caminho autónomo” de Mourinho porque também é um “estudioso, uma pessoa que lê”.
Num discurso claro sobre futebol, os temas das três palestras que vai fazer em Macau, onde está a convite do escritório de advogados C&C, com o apoio do Banco Nacional Ultramarino, Manuel Sérgio salienta que o mundo caminha para as “sociedades do conhecimento”, o mesmo rumo que é traçado no desporto: “Ou se aprende a teorizar, ou não se consegue ser o treinador ideal”.
“José Mourinho é um homem de estudo, muitas pessoas não sabem, mas é um homem de estudo. Isto para dizer que o André Villas-Boas também é um homem de estudo”, disse, explicando que o treinador de agora é diferente ao de “antigamente”.
É que, explicou, antigamente havia o prático que repetia “aquilo que tinha aprendido durante a sua prática desportiva” e atualmente “a teorização é necessária e André Villas-Boas aprendeu com o José Mourinho, mas o André é capaz de fazer o seu próprio caminho e ser um treinador diferente”.
Entre semelhanças e diferenças, Manuel Sérgio garante, sendo “amigo dos dois”, que o treinador do FC Porto é “reconhecido ao José Mourinho, mas é muito diferente do José Mourinho”.
“O Zé Mourinho não se imita. O senhor não imita um génio e o José Mourinho é um treinado genial e portanto ninguém vai imitar o José Mourinho”, atira, salientando que o futebol não é um bicho de “sete cabeças”, inacessível ao cidadão comum, mas que são necessárias determinadas qualidades.
“Há uma coisa que de uma de uma vez por todas temos de assentar: É o homem que se é que triunfa no treinador que se pode ser”, sustenta.
Manuel Sérgio defende que o que “distingue um treinador dos outros é o homem” e que José Mourinho é um homem que tem as qualidades essenciais a uma liderança: “grande leitura de jogo” e a sabedoria de “comunicar para poder motivar”.
“Quem tem estas qualidades de forma apurada como tem José Mourinho é um treinador genial”, sublinha.
Numa análise ao campeonato português, Manuel Sérgio garante ser invenção da imprensa alegados atritos entre os treinados do Porto e do Benfica, salienta que são pessoas diferentes, que Jorge Jesus é um “mestre” a fazer a leitura do jogo e que ambos, por vezes, são obrigados a dizer determinadas coisas para motivar os seus jogadores.
“O que separa Villas Boas de Jorge Jesus é que são pessoas com formação diferente, mas são amigos, respeitam-se e dizem-me bem um do outro”, garante, salientando que os elogios mútuos são até tema das conversas com os dois treinadores.
Instado a comentar o fato de a época 2010/2011 ser a quinta em que o campeão é treinado por um português, Manuel Sérgio recorda que é uma consequência do trabalho feito no Instituto Superior de Educação Física de Lisboa, de onde saíram vários dos principais nomes do futebol nacional.
“O grande contributo que [os professores de educação física] trouxeram foi este: o futebol também se estuda”, disse, fazendo questão em frisar que “o melhor do mundo é português.


