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Chamar-se Jardel ou Yazalde não deve ser fácil para ninguém, muito menos para um jogador de futebol. Mas o peso dos nomes não se esgota nas conotações futebolísticas, assume também dimensões históricas ou literárias.

Quando um nome significa mais do que o próprio nome
Quando um nome significa mais do que o próprio nome

Entre as mais de seis centenas de futebolistas que representam os 32 dos emblemas da Liga e da Liga de Honra de futebol há uns que se destacam, não pelos seus feitos particulares, mas por carregarem o “peso” da história do “desporto rei”.

Que o diga Platini, do Santa Clara, um longínquo “herdeiro” do presidente da UEFA. Ou o benfiquista Jardel e o vila-condense Yazalde, sucessores, mas apenas no nome, de dois dos maiores pontas de lança que o futebol nacional conheceu.

Se, no caso do primeiro, a associação com Mário Jardel, melhor marcador do campeonato nacional durante cinco temporadas (entre 1996/97 e 1999/00 e depois na época de 2001/02), é completamente fortuita, no segundo é justificada pela admiração que o pai de Yazalde tinha pelo argentino “Chirola”, ainda hoje uma referência para os lados de Alvalade pelos 50 golos que marcou em 1973/74.

O Rio Ave tem o seu André Vilas Boas particular, o médio português que nada tem em comum com o treinador do Chelsea, o campeão nacional da época passada, André Villas-Boas, a não ser a homofonia do nome.

No entanto, as comparações vão bem além das quatro linhas. No Atlético, líder da Liga de Honra, está Saramago, não o escritor José, mas sim o médio Rui, como no Desportivo das Aves está Cervantes, que tem Pedro como primeiro nome. E há também um Pessoa, o Ricardo, no Portimonense.

Dos autores para as personagens vai um pequeno “pulo”, com Romeu (Desportivo das Aves) a lembrar a tragédia de William Shakespeare “Romeu e Julieta”.

Figuras criadas especificamente para a literatura são acompanhadas por outras que nasceram na banda desenhada, como Hulk, o “incrível” jogador do FC Porto que ganhou a alcunha pelas parecenças (na força e na fisionomia) com o super-herói da Marvel, ou nas histórias para crianças, caso de Ruca, do Marítimo.

As associações vão desde os mais contemporâneos Elvis, “rei do rock” e, neste caso, jogador da União de Leiria, Mika, o cantor britânico que partilha o nome com um benfiquista e um atleta do Feirense, Vinicius, o cantautor brasileiro que tem lugar no Beira-Mar e no Arouca, a alguns dos emblemáticos representantes da história.

A antiguidade traz para a Liga portuguesa de futebol, mais concretamente para a Académica, Júlio César, o médio brasileiro que nada tem a ver com imperador romano.

“A César o que é de César” e, por isso, Cícero, do Paços de Ferreira, e Tito, do Desportivo das Aves, estão longe de ser, respetivamente, um filósofo e um imperador, limitando-se a fazer o que sabem fazer melhor: jogar futebol.

O mesmo acontece com Miguel Ângelo, que de artista nada tem, sendo apenas mais um dos atletas do plantel do Arouca e um entre as dezenas de jogadores cujo nome desperta curiosidade.

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