Uma bandeira, duas apoiantes, a claque portuguesa do Dalian
A primeira vez que a professora Ana Teresa Almeida entrou num estádio para ver um jogo de futebol foi há um mês e meio, em Dalian, nordeste da China, e a estreia não passou despercebida. Pelo contrário.
Acompanhada por Sara Sousa, que também ensina português na Universidade de Línguas Estrangeiras de Dalian, Ana ia enrolada numa bandeira de Portugal e com as unhas pintadas de azul, a cor do clube local.
A ocasião era, de facto, especial: o Dalian – um nome grande do futebol chinês – acabara de contratar Nelo Vingada e com a chegada do novo treinador e dos seus três adjuntos a comunidade portuguesa local duplicou.
Ana e Sara eram as únicas “laowai” (“estrangeiras”) sentadas nas bancadas e para espanto ainda maior da assistência, ao verem aquela exótica bandeira, o novo treinador do Dalian, o técnico português Nelo Vingada, e dois dos seus três adjuntos atravessaram o estádio e foram saudar as compatriotas.
“Foi uma agradável surpresa. No inicio, quando vi a bandeira, até pensei que fosse de algum adepto chinês. Estava longe de imaginar que havia em Dalian duas raparigas portuguesas”, recordaria Nelo Vingada à agência Lusa.
Ex-adepta do FC Porto, Sara já tinha assistido a vários jogos em Portugal. Para Ana, era a primeira vez e, segundo contou, “estava psicologicamente preparada para uma grande seca”.
Afinal, não foi “uma seca” e, desde então, as duas portuguesas viram quase todos os jogos que o Dalian disputou em casa: “É melhor do que na televisão”, concluiu Ana.
Dalian é um importante porto do Mar Amarelo, com cerca de seis milhões de habitantes. A antiga União Soviética teve lá uma base naval e até ao inicio da década de 1990, a atual Praça do Povo, no centro da cidade, chamava-se ainda Praça Estaline.
Ana e Sara, formadas na Universidade de Aveiro, em Línguas e Relações Empresariais, chegaram a Dalian em agosto de 2010. Tinham 25 e 22 anos, respetivamente, e constituíam metade da comunidade portuguesa local.
“Também estava cá um engenheiro civil, empregado numa empresa chinesa, e ouvimos falar de um outro português que trabalha num hotel”, disse Sara.
Nelo Vingada e a sua equipa técnica chegaram no final de julho, quando o Dalian corria o risco de descer de divisão, uma despromoção especialmente humilhante para o clube que conquistou mais títulos desde que o governo chinês autorizou a profissionalização do futebol, em 1993.
A super-liga chinesa, disputada por 16 equipas, já ia a meio e os “jogadores estavam intranquilos”, contou Nelo Vingada.
Mesmo assim, o Dalian conseguiu acabar no 12º lugar, com mais nove pontos que o Shenzhen e mais cinco que o Chengdu, as duas equipas que desceram de divisão: “Na segunda volta fizemos 21 pontos, mais onze do que na primeira”, realçou o técnico português.
Nelo Vingada já renovou o contrato com o Dalian e na próxima época, Sara e Ana lá estarão de novo nas bancadas, agitando a bandeira de Portugal.


