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Rui Jorge abdicava do Euro para colocar «dois ou três jogadores» nos AA

O selecionador português de futebol de sub-21, Rui Jorge, avalia positivamente o seu primeiro ano à frente da equipa das “quinas” e que preferia colocar ”dois ou três jogadores” na seleção principal a apurar-se para o Euro2013.

Rui Jorge abdicava do Euro para colocar «dois ou três jogadores» nos AA
Rui Jorge abdicava do Euro para colocar «dois ou três jogadores» nos AA

Em entrevista à agência Lusa, Rui Jorge diz que está a passar por uma ”excelente experiência” e que o trabalho nos sub-21 é ”gratificante”, mantendo o desejo de conseguir a qualificação para o Euro2013, que vai ser disputado em Israel.

A quatro pontos da Rússia, que lidera o Grupo 6, e com mais um jogo, o treinador, de 38 anos, garante não ter perdido a esperança de seguir em frente na prova, quando faltam três jogos, até porque os melhores segundos lugares terão também passagem para o ”play-off”.

”Obviamente que acredito no apuramento. Nesta altura não lutamos contra um adversário, lutamos por pontos. Apura-se diretamente o primeiro classificado. Por isso, estamos numa luta direta com todos os outros elementos dos outros grupos. Mas isso não altera a forma como abordamos os jogos, tentamos vencer todos os jogos. Não temos os pontos que deveríamos ter, mas também não temos os pontos que mereceríamos ter”, reconheceu.

Nas contas de Rui Jorge contam, sobretudo, os empates na receção à Polónia e na deslocação à Albânia.

”Tivemos um bom desempenho na Albânia, em termos de produção, mas em termos de finalização não fomos eficazes. No jogo com a Polónia, em casa, produzimos situações mais do que suficientes para ganhar confortavelmente, mas não o conseguimos. É uma coisa que temos de melhorar. Em termos exibicionais foram dois jogos que não espelham, de forma alguma, o que se passou em campo”, explicou.

Contudo, ainda sem ter o apuramento garantido, Rui Jorge não esconde que não teria qualquer problema em abdicar de uma presença na fase final do Euro2013 para colocar alguns dos seus pupilos na seleção principal antes do Euro2012.

”Esse é o grande objetivo de toda a formação. Conseguir ter jogadores que alimentam a seleção AA. Acredito que os jogadores estarão mais próximos de representar a seleção AA se provarem qualidade nos escalões inferiores e isso também tem a ver com os resultados que se conseguem. Mas não tenho dúvidas. Preferia colocar dois ou três jogadores na seleção principal”, revelou o antigo campeão nacional pelo FC Porto e Sporting.

Com uma passagem de cinco temporadas à frente dos juniores do Belenenses, quando orientou além dos ”azuis” Fredy, Abel Camará, que integram habitualmente os sub-21, o ”benfiquista” André Almeida, emprestado à União de Leiria, e Pelé, do AC Milan, Rui Jorge frisa que é ”muito mais fácil, em termos técnico-táticos, trabalhar todos os dias com os jogadores” uma vez que na seleção há ”pouco tempo de treinos e de recuperação”.

No final da temporada 2008/09, Rui Jorge teve convites para assumir o comando técnico de equipas seniores, contudo, por opção própria, preferiu continuar nos juniores do Belenenses.

”Não aceitei por motivos pessoais. Trabalhar com a formação é uma coisa de que gosto muito, é gratificante trabalhar com jovens. Não vejo isto como uma rampa de lançamento. Tive convites da Liga, mas fiquei seduzido, não só pelo convite ter sido feito através de Paulo Bento, como também pelo o próprio trabalho, sendo novo para mim, era algo que gostaria de experimentar e saber até que ponto me poderia apaixonar por esta função”, sustentou.

Amigo pessoal do selecionador principal, Paulo Bento, Rui Jorge assegura que a relação entre os sub-21 e os AA ”não podia ser melhor” e que a atenção do antigo companheiro no Sporting serve de incentivo aos seus jogadores.

”É muito bom para os jogadores sentirem essa presença. Se o objetivo deles é representar a seleção AA, então é gratificante o representante máximo ver os seus jogos e treinos. Paulo Bento tem tido essa atenção. Já esteve em treinos de todos os escalões. Ele tem conhecimento acentuado de todos os jogadores da nossa base. É natural que ele vá dando conta do potencial dos jogadores que aqui estão”, sublinhou.

Para já, Rui Jorge garante que ”não mudou grande coisa” desde que assumiu os destinos dos sub-21 e que os seus objetivos ”são os mesmos que quem estava anteriormente”.

”Trabalhamos sempre para desenvolver os jogadores, torná-los mais capazes para representarem a seleção principal. Acredito que podemos e devemos trabalhar para que isso aconteça, embora isso acarrete questões mais profundas, nomeadamente o número de estrangeiros. Havendo uma base de recrutamento menor será mais difícil conseguir recrutar com tanta qualidade. São questões de fundo que necessitam de alguma atenção”, concluiu.

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