Questões financeiras e motivação levaram João Tomás a mudar-se para Angola
O avançado João Tomás, que se transferiu esta época do Rio Ave, da I Liga de futebol, para o Recreativo de Libolo, bicampeão angolano, disse hoje que na base da decisão estiveram motivações financeiras, mas também desportivas.
João Tomás, 37 anos, está em Quiaios, Figueira da Foz, no estágio que o Recreativo de Libolo – clube com o qual assinou um contrato de duas épocas – cumpre até 25 de janeiro.
Em declarações aos jornalistas, o veterano avançado, que se notabilizou, em Portugal, em clubes como a Académica, Benfica ou Rio Ave, disse que a decisão de rumar a Angola ”foi ponderada”, tendo pesado ”a questão financeira”, mas também a oportunidade de ”lutar por títulos” e jogar a Liga dos Campeões africanos de futebol.
”Logicamente, a questão financeira pesa, isso é indesmentível e com uma carreira curta temos de aproveitar da melhor maneira as possibilidades que temos. E, neste sentido, seguir um bocadinho o conselho que o Passos Coelho deu há um ano, para a gente emigrar para ir buscar qualquer coisa lá fora”, frisou.
Sobre o seu novo clube, localizado a 250 quilómetros da capital angolana, Luanda, João Tomás espera ”ajudar ao máximo” o Recreativo de Libolo a alcançar ”muitos êxitos”.
”Todas as informações que tenho são muito boas. É um clube organizado, um clube sério, cumpridor, e que tem um projeto desportivo ambicioso. Só espero que possamos todos fazer com que esse projeto siga no rumo ao sucesso”, acrescentou o jogador.
No campeonato angolano – designado Girabola -, João Tomás vai encontrar o camaronês Meyong, 32 anos, contratado também esta época por uma equipa angolana (o Kabuscorp) ao Vitória de Setúbal, onde assinara já 13 golos.
”Éramos os dois trintões ali a fazer frente à miudagem. Logicamente temos por detrás equipas que nos proporcionam fazer os golos, mas saem uns, entram outros, isso faz parte da vida”, declarou.
No Recreativo de Libolo João Tomás terá a companhia de Pedro Marques, o jovem médio ofensivo da Figueira da Foz, cidade de onde rumou às camadas jovens do Real Madrid, para depois passar por outros clubes antes de chegar a Angola.
Pedro Marques recusou que o futebol angolano seja ”mais fácil” do que o português ou o espanhol, adiantando que ”está a evoluir bastante”, a crescer de qualidade e estruturas.
Manifestou ainda o desejo de que o novo avançado e colega de equipa possa fazer muitos golos: ”Não sei se vai fazer 25 [golos], Deus queira que faça 40. Mas nenhum jogo hoje em dia é fácil”.
Já o treinador português José Dinis acredita que a próxima edição do Girabola possa ser a mais competitiva de sempre, apontando a existência de ”cinco ou seis” candidatos ao título e ”um grande equilíbrio”.
Sobre o Recreativo de Libolo, José Dinis considerou que o desafio de treinar o clube bicampeão angolano é semelhante, em Portugal, a treinar o FC Porto ou o Sporting de Braga.
Para o treinador a ida de jogadores europeus e o regresso de alguns angolanos também ”pode ser extremamente benéfica” para o futebol em Angola, onde os clubes só podem inscrever cinco estrangeiros e apenas três podem jogar em simultâneo.


