Ronaldo defende Ruben Neves após cânticos sobre Diogo Jota
Cristiano Ronaldo condena os cânticos dirigidos a Ruben Neves e pede banimentos vitalícios; incidente no futebol saudita está sob investigação.
Cristiano Ronaldo exigiu banimentos vitalícios para os adeptos que, no sábado, gritaram repetidamente o nome do falecido Diogo Jota na direção de Ruben Neves. O episódio ocorreu durante o triunfo do Al Hilal por 6-0 sobre o Al Taawoun, na Saudi Pro League, e levou o capitão da seleção portuguesa a reagir de forma contundente nas redes sociais.
Ronaldo, que joga no rival saudita Al Nassr e é companheiro de seleção de Neves, não poupou nas palavras ao condenar publicamente o sucedido.
“The league must take action and punish this kind of fan behaviour. This is no longer football, and there have to be limits. People who behave like this should never be allowed to enter a stadium again.”
O que aconteceu em campo
Uma parte dos adeptos do Al Taawoun repetiu “Jota, Jota, Jota” enquanto Neves se preparava para marcar um livre. O médio respondeu com aplausos sarcásticos e apontou para o céu, antes de, já longe do relvado, deixar clara a sua indignação aos jornalistas.
“I just hope they don’t go to pray later after what they did.”
Diogo Jota, avançado do Liverpool e antigo jogador do Wolverhampton Wanderers, morreu em julho, aos 28 anos, num acidente de viação em Espanha, juntamente com o irmão André Silva. Neves era amigo próximo e antigo companheiro de equipa de Jota, tanto no Wolves como na seleção portuguesa, e usa atualmente o número 21 por Portugal em memória do companheiro, além de ostentar uma tatuagem que retrata os dois a abraçarem-se.
Casos de bancadas a explorar tragédias pessoais para provocar adversários não são exclusivos do futebol saudita, como mostrou recentemente o episódio no futebol inglês relatado no artigo sobre o incidente racista envolvendo o Sunderland.
Condenação institucional
Al Hilal e Al Taawoun condenaram o comportamento dos adeptos em comunicados separados. A Federação Saudita de Futebol e a Saudi Pro League emitiram ainda uma declaração conjunta, classificando a conduta como incompatível com os valores do futebol saudita e os princípios do desportivismo, sublinhando que usar tragédias pessoais para abusar ou provocar outras pessoas é inaceitável, conforme confirmou também o BBC Sport.
Próximos passos
A SAFF confirmou que os comités disciplinares relevantes identificaram o incidente e que o caso está sob investigação. Por agora, não há indicação oficial sobre eventuais sanções, mas o pedido de Ronaldo por banimentos vitalícios coloca pressão adicional sobre as autoridades sauditas, que já assumiram publicamente a rejeição do comportamento através de comunicado conjunto.
Como capitão da seleção nacional, papel que mantém mesmo com a mudança de comando técnico confirmada no artigo sobre Jorge Jesus a assumir Portugal, Ronaldo volta a mostrar-se disposto a defender publicamente os companheiros, dentro e fora de campo.


