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Braga: Na Europa e nem que todas as vacas da Áustria tussam

Artigo de opinião de Gil Nunes.

Braga: Na Europa e nem que todas as vacas da Áustria tussam
Depositphotos

Desse por onde desse. Na fase de grupos da Europa. Ponto. E tudo o que não fosse este cenário seria algo de inadmissível para um clube que, legitimamente, já é um dos grandes do futebol português e um putativo candidato à conquista da Liga. Não há plano B. Só plano Europa.

Nem que fosse preciso prescindir do treinador. Algo que já foi feito. Porque, para além do mais, a presença na fase de grupos da Liga Europa assegura um bónus imediato de 4,5 milhões de euros, algo que é significativo do ponto de vista da sustentabilidade financeira. Seja como for, há algo de mais importante que se alevanta. Chamado prestígio. E prestígio, no atual caso do Braga, não vem embrulhado em historinhas muito lindas de que o clube é grande mas que, por mero acaso do destino, não se qualificou para a fase de grupos da Liga Europa. Exige-se o mesmo que a Sporting, FC Porto ou Benfica. Sem narrativas da Carochinha e o claro compromisso de que o Braga europeu é o Braga normal. E tudo o resto é fantasia.

A qualificação do Braga para a fase de grupos traz um condimento especial: foi conseguida num período em que os arsenalistas não vacilaram a nível interno, com vitórias diante do Moreirense e do Boavista. Sim, é certo que se não o tivessem feito também não seria um cataclismo e haveria mais do que tempo para tudo se recuperar. Mas o pecúlio traz o selo único da coleção: o selo da tranquilidade, essencial num período de troca de treinador que, valha a verdade, acaba por resultar em cheio e coroar a opção de António Salvador em trocar na altura certa: no início. Para não se criarem raízes mais difíceis de extrair à posteriori.

Com Carlos Carvalhal, voltou uma premissa. Ou um jogador que passou a ser determinante: Vítor Carvalho. Colocação de cimento no miolo, ou introdução de um intérprete habituado a ocupar a posição de médio-defensivo, em parceria com outro elemento que providencie a devida canalização do miolo rumo a zonas mais adiantadas. Com André Horta, o tal que, mesmo não tendo estado brilhante, possibilita o entendimento das dinâmicas do jogo um segundo mais cedo que todos os demais. A exponenciação desta dupla (ou de outras respeitando a mesma máxima) deu à equipa um novo pilar de tranquilidade, muito embora a solidificação ainda esteja longe de ser conseguida. O Braga ainda está em processo de crescimento/desenvolvimento.

Veja-se o que se passou no segundo golo do Rapid de Viena. É certo que o grosso da responsabilidade reside sobre os ombros de Arrey-Mbi, que facilitou e de que maneira na altura de uma abordagem que, apenas pelo ato da própria abordagem em si, teria sido mais do que suficiente para impedir o golo dos visitados. É que os austríacos não são nem nunca foram a equipa mais temível do mundo, mas a sua forma de atacar – diferente, pragmática e cínica – representou um perigo não pela sua abundância mas por um conjunto de particularidades que a tornavam especial.

À semelhança do que aconteceu no jogo da primeira mão, a segunda parte do Braga trouxe um denominador fundamental: o alcance do equilíbrio coletivo da equipa para que, no encalço, se criassem as devidas condições para o desequilíbrio individual. A entrada de Roger proporcionou uma aposta de risco, mas o verdadeiro carburador surgiu do outro lado e por intermédio de um jogador que está em alta: Gabri Martinez. Diante do Moreirense, o tento que marcou – um golaço – é característico de um jogador que está com os índices de confiança no topo e que, por conseguinte, não tem quaisquer problemas em arriscar. É certo que Gabri Martinez só entrou no onze devido à lesão de Bruma e é também certo que o espanhol é um produto inacabado e, inclusive, tem capacidades para atuar em ambos os corredores. No entanto, conseguiu aportar à equipa aquilo que ela necessitava: o desequilíbrio na altura certa. O desequilíbrio naquele preciso momento em que é necessário puxar dos galões e capitalizar a lei do mais forte, no caso assente num cardápio de soluções manifestamente superior àqueles que Rapid de Viena dispõe.

Também é certo que, muito embora Ouazzani e Fernandez venham a responder com golos, impõe-se uma maior estabilidade ao nível da frente de ataque. Se Banza continua na equipa B devido a problemas disciplinares, também é legítimo dizer-se que a situação é incómoda para quem tem de prescindir (mesmo com eventual toda a razão do mundo) do segundo melhor marcador da temporada passada e, por inerência, um elemento fundamental em todo o planeamento que foi feito.

Para já o necessário balão de oxigénio e a garantia de que a posição de lateral esquerdo – que estava carenciada – se completa com a entrada em cena de Yuri Ribeiro – mais apto a conferir vitalidade ofensiva do que aquela que Marin oferece de momento. Tudo está bem quando acaba bem e, no rescaldo, o período que compreendeu a saída de Daniel Sousa e a qualificação para a fase de grupos da Liga Europa quase que representa uma fatia de temporada dentro da própria temporada em si. E os “gverreiros” sorriem enquanto olham para o horizonte que se avizinha.

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