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A final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting, disputada no Estádio do Jamor, deixou marcas profundas nos adeptos encarnados, que classificaram a derrota por 3-1 como um reflexo de uma temporada “sabotada por erros gritantes”.

“A agressão de Matheus Reis a Belotti é das maiores nojices que vi”
Crise nas arbitragens leva benfiquistas ao extremo: “O Benfica devia jogar em Espanha”

As declarações de sócios e figuras ligadas ao clube, combinadas com lances polémicos analisados em vídeo, revelam um sentimento de injustiça que transcendeu o desfecho do dérbi.

Aos 90+4 minutos, com o Benfica a vencer por 1-0, Andrea Belotti foi alvo de uma dupla intervenção de jogadores do Sporting: Matheus Reis desferiu uma cotovelada no avançado italiano, seguida de um pisão na cabeça quando este já estava no chão. O árbitro Luís Godinho não reviu o lance no VAR, e a falta foi assinalada contra o Benfica, permitindo que o Sporting recuperasse a bola e iniciasse a jogada que culminou no penálti de Gyökeres aos 90+11.

Pouco depois, aos 90+5, Nicolás Otamendi sofreu uma cotovelada de um jogador leonino já amarelado, sem consequências para o infrator. Para os benfiquistas, estes episódios simbolizaram um padrão de decisões que “beneficiaram sistematicamente o adversário”, como afirmou o presidente Rui Costa: “Dois lances ultrapassam todos os limites“.

Jaime Cancela de Abreu, sócio do Benfica, resumiu no Facebook a indignação coletiva: “Tiraram-nos o segundo golo que arrumava o jogo”, referindo-se ao golo de Bruma anulado aos 50′ por alegada falta de Carreras sobre Trincão – decisão considerada “absurda” pelos encarnados. Bruno Costa Carvalho, ex-candidato à presidência, reforçou: “O pisão de Matheus Reis na cabeça de Belotti foi cartão vermelho claro. Ganhar assim é impossível”.

Mauro Xavier, autor do livro “A Nossa Camisola”, sintetizou a sensação de desalento: “Um ano inteiro resumido num jogo: penálti anulado, golo mal invalidado, 10 minutos de compensação. É apoiar!”. A referência aos 10 minutos de desconto – considerados “exagerados” por Bruno Lage – tornou-se emblemática, com adeptos a questionarem se o tempo adicional serviu para “facilitar a reação do Sporting”.

Rui Costa, embora assumindo a responsabilidade pela derrota, não poupou críticas à arbitragem: “O VAR anulou dois golos nossos, mas ignorou agressões. Provavelmente, o responsável será premiado”, ironizou, num discurso que misturou frustração e sarcasmo. Bruno Lage ecoou o sentimento: “Durante 99 minutos e 30 segundos, fomos a melhor equipa. O árbitro errou e custou-nos a Taça”.

Florentino Luís, médio encarnado, admitiu a falta de sorte: “Sofremos o empate no último lance, que devia ter sido falta. Criámos oportunidades, mas faltou o detalhe”. Porém, para os adeptos, a narrativa da “falta de sorte” esconde um problema estrutural: “É a confirmação de uma época onde o Benfica foi sistematicamente prejudicado”, escreveu Mauro Xavier.

As polémicas tiveram desdobramentos extracampo. O Sporting chegou a publicar (e depois apagou) um vídeo nas redes sociais onde se ouvia “aqui nós pisamos na cabeça, c…!” numa alusão ao pisão em Belotti, alimentando a fúria dos benfiquistas. Nas bancadas, a invasão de um adepto – que confrontou a equipa de arbitragem – e a expulsão de Ricardo Esgaio ilustraram a tensão que permeou o dérbi.

Para o Benfica, a temporada termina sem troféus, enquanto o Sporting celebra a primeira dobradinha em 23 anos. A ironia histórica não passou despercebida: em janeiro de 2025, os encarnados haviam vencido o Sporting na final da Taça da Liga nos penáltis, num jogo também marcado por controvérsias.

Se para os leões a dobradinha coroa um projeto desportivo sólido, para os encarnados, a final do Jamor expôs feridas abertas. “Não basta ser superior. Quando as instituições não funcionam, o futebol perde”, desabafou Rui Costa, num apelo a uma “análise profunda do futebol português”.

Enquanto isso, nas redes sociais, a hashtag #JamorFoiRoubo tornou-se trending topic, prova de que, para muitos benfiquistas, a Taça de Portugal 2024-2025 ficará na história como um símbolo de injustiça – e não de glória desportiva.

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