“O Benfica ameaça, mas não faz nada”: ex-dirigente aponta falhanço grave da direção
Rui Costa deixou críticas ao sistema e exigiu respeito, mas João Gabriel acusa a direção do Benfica de incoerência, considerando que as ameaças não têm sido acompanhadas por ações concretas.
O discurso de Rui Costa na Gala Cosme Damião ficou marcado por um tom crítico e exigente perante o estado atual do futebol português. O presidente do Benfica assumiu uma postura autocrítica, reconhecendo que o clube não atingiu os objetivos traçados, ao afirmar que “não estamos no lugar que queríamos”, deixando claro que o primeiro lugar é a única meta aceitável.
No entanto, foi fora das quatro linhas que surgiram as declarações mais contundentes. Rui Costa insurgiu-se contra decisões disciplinares e episódios de arbitragem, destacando como “inqualificável” o castigo aplicado a José Mourinho. O líder encarnado foi mais longe, exigindo “rigor” e “respeito” para o Benfica, sublinhando a necessidade de “competir em igualdade com os nossos adversários”.
Críticas à arbitragem e ao sistema intensificam discurso
O presidente das águias apontou ainda casos concretos para sustentar a sua indignação, referindo que o clube tem sido prejudicado em momentos decisivos. “O exemplo da última jornada em Arouca é gritante”, afirmou, considerando-o apenas mais um entre vários episódios que, na sua perspetiva, demonstram desigualdade de critérios no futebol nacional.
Rui Costa recordou também situações passadas, como a final da Taça de Portugal, que, segundo o próprio, terá sido influenciada por erros graves de arbitragem. Nesse sentido, reforçou a ideia de que o Benfica tem sido alvo de decisões que condicionam diretamente os seus resultados desportivos.
O discurso terminou com um apelo à equidade competitiva, com o presidente a garantir que o clube continuará a lutar “até ao último fôlego”, mas deixando um aviso claro: é essencial que o Benfica possa competir “com as mesmas armas” que os rivais.
João Gabriel aponta incoerência e falta de ação
As palavras de Rui Costa não passaram despercebidas, mas também não ficaram imunes a críticas. João Gabriel, antigo diretor de comunicação do clube, utilizou as redes sociais para desmontar o discurso presidencial, acusando a atual direção de recorrer sistematicamente a uma “indignação performativa para consumo externo”.
Segundo João Gabriel, o Benfica tem adotado uma postura de confronto verbal que não se traduz em ações concretas. “O permanente ‘agarrem-me senão eu vou’ passou a ser a marca desta direção”, escreveu, sublinhando que as ameaças feitas após episódios polémicos acabam por não ter seguimento prático.
O consultor recorda, por exemplo, a reação encarnada após a final da Taça de Portugal de 2025, quando o clube anunciou medidas duras, como participações disciplinares e recurso a instâncias internacionais. “Parecia um momento de rutura. Parecia, mas não foi”, atirou, classificando esse posicionamento como “absolutamente inconsequente”.
João Gabriel critica ainda a alegada incoerência institucional ao lembrar a presença de Pedro Proença na gala do clube, apesar das críticas recorrentes à Federação. Para o antigo dirigente, este tipo de atitudes “corrói a autoridade” do Benfica e fragiliza a sua posição no panorama do futebol português.
A concluir, deixa um aviso sombrio: sem mudanças efetivas, o clube poderá continuar preso a um ciclo de “murro na mesa” sem consequências reais, caminhando, nas suas palavras, “até ao naufrágio final”.


