Basílio Almeida destacou-se na I Liga no Salgueiros e no Vitória de Guimarães. Apesar de assumir que os três anos passados na «Cidade do Berço» simbolizam o ponto mais alto da carreira, os momentos de amizade, de união e de companheirismo que viveu no balneário do Salgueiros são recordados com muita nostalgia. Em termos sociais, em Guimarães era tudo completamente diferente em relação ao Salgueiros. O balneário fechado e o ambiente quase «ditatorial», na altura em que Pimenta Machado era o presidente dos vimaranenses, acabou por fazer com que este se isolasse dos colegas de equipa, acabando mais tarde por sair. As saudades falaram mais alto e o regresso ao Salgueiros acabou por se consumar, regressando à família que o deu a oportunidade de jogar ao mais alto nível em Portugal.
Se a esperança e a ambição dos amantes açorianos de futebol é verem os jovens talentosos das ruas e freguesias do arquipélago a se assumirem no futebol nacional ao mais alto nível, Basílio Almeida fez exatamente o percurso inverso: brilhou na I Liga e agora, aos 47 anos de idade, marca golos e dá nas vistas no Grupo Desportivo São Roque. Quando começou a dar os primeiros passos como jogador, ouvia sempre o que os mais velhos diziam. Hoje em dia, o avançado diz que os jovens não querem ouvir, o que se torna ainda mais difícil, tendo em conta o baixo nível competitivo da modalidade nos Açores. O problema de formação na região é grave e precisa de uma mudança, mas infelizmente, de acordo com Basílio, «todos sabem qual é o problema», mas «ainda ninguém fez nada».
Aos 47 anos de idade, Basílio Almeida conta com quase 30 anos de carreira, muitos deles na I Liga, ao serviço do Vitória de Guimarães e do Salgueiros. Agora no Grupo Desportivo de São Roque, onde se sagrou campeão da ilha de São Miguel esta época, admite que, quando olha para trás, começa a sentir-se velho. Humilde, confessa que não consegue estar sentado no sofá e que praticar desporto é um «vício» que lhe faz sentir bem. Não ter vestido a camisola da seleção das «quinas» é o que mais lamenta na carreira, mas agora o seu foco é fazer história e jogar futebol federado até aos 50 anos de idade. Esta é a primeira de três partes de uma entrevista que vamos publicar nos próximos dias.