
Mauro Xavier dirige duras palavras a André Villas-Boas, sugerindo que a imagem civilizada do presidente do FC Porto é uma fachada para o seu verdadeiro carácter.
Num texto publicado na sua página de Facebook, Mauro Xavier, sócio e adepto do Benfica, dirigiu duras críticas a André Villas-Boas, presidente do FC Porto, utilizando uma analogia com o clássico literário "O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde". O post, escrito num tom satírico e incisivo, traça um paralelismo entre a dualidade do personagem fictício e a atuação do líder portista na época 2025/26.
Mauro Xavier inicia a comparação destacando que "Dr. Jekyll era um médico respeitado: educado, um cavalheiro exemplar. Mr. Hyde era o oposto: cruel, impulsivo, sem escrúpulos". Segundo o adepto benfiquista, esta dualidade seria visível na figura de André Villas-Boas, que inicialmente se apresentou como um renovador do clube: "Um Porto novo, dizia-se. Civilizado. Com frases bem penteadas e casacos escolhidos por quem sabe conjugar verbos com gravatas".
No entanto, o autor do texto afirma que essa imagem civilizada seria apenas uma fachada, sugerindo que o verdadeiro carácter do presidente do FC Porto emerge noutros contextos: "O problema é que, como qualquer leitor da história sabe, nas Antas há sempre uma porta traseira. E é por lá que sai o outro senhor".
A crítica centra-se na ideia de que Villas-Boas não terá conseguido abandonar a cultura do clube, herdada da era de Pinto da Costa, que liderou o clube durante 42 anos. O comentador recorda a proximidade entre o atual presidente e o antigo líder: "Luís André, como lhe chamava Pinto da Costa, cresceu nessa escola. E ninguém passa uma infância inteira a ouvir sermões sem aprender pelo menos o refrão".
Durante a campanha eleitoral que o levou à presidência, Villas-Boas prometeu uma rutura com o passado, mas Mauro Xavier considera que essa mudança não aconteceu: "Durante a campanha eleitoral tentou vender a ideia de que tinha cortado o cordão umbilical. Mas não. A escola nunca fechou".
O post de Mauro Xavier avança com acusações concretas sobre a postura institucional do FC Porto na presente época, sugerindo que o clube mantém práticas que considera censuráveis:
"Hoje, o Mr. Hyde é muito mais ativo. Surge nos editoriais inflamados, nos discursos do 'contra tudo e contra todos' e nas pequenas cenas do velho ADN Porto, onde o condicionamento da arbitragem e da disciplina continuam a ser peças estruturais da estratégia 'calimero'".
A expressão "estratégia calimero" é uma referência clássica no futebol português, alusiva à personagem de desenho animado que se sente permanentemente injustiçada. Esta estratégia tem sido associada ao discurso de vários clubes ao longo dos anos, especialmente em momentos de maior tensão competitiva.
Para Mauro Xavier, a transformação do presidente do FC Porto é agora evidente para todos os observadores do futebol português: "O Dr. Jekyll já raramente aparece. No resto do tempo, Luís André parece confortável na pele de Mr. Hyde. Talvez porque, no fundo, o maior orgulho de qualquer aluno não seja apenas aprender a lição do mestre. É tentar provar que consegue fazê-la ainda melhor".
A publicação cita ainda o desfecho da obra literária para sublinhar a dificuldade de separar as duas faces do líder portista: "Na novela de Robert Louis Stevenson, a história termina quando já não é possível separar os dois rostos".
O autor da crítica, que já admitiu publicamente ponderar uma candidatura à presidência do Benfica no futuro, conclui com uma mensagem dirigida ao seu próprio clube, defendendo que a solução para este cenário passa exclusivamente pelo mérito desportivo dentro das quatro linhas:
"No futebol, porém, a ficção e a realidade não podem conviver. A única forma de quebrar o modelo de sempre é no relvado. Com um Benfica fiel à sua essência: ganhar dentro das quatro linhas. Quando isso acontece, nenhum Hyde se esconde atrás de uma gravata. Porque no relvado as máscaras caem".