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A Câmara de Espinho anunciou esta quarta-feira que vai realizar uma auditoria à empreitada do estádio destinado a acolher o clube local e outras iniciativas em curso da autarquia, devido a uma “potencial desconformidade” no respetivo processo de contratação pública.

Câmara vai auditar construção do Estádio de Espinho por «potencial desconformidade»
Câmara vai auditar construção do Estádio de Espinho por «potencial desconformidade»

“A autarquia vai avançar com uma auditoria técnica e financeira à construção do Estádio Municipal, com o objetivo de avaliar os procedimentos contratuais e o projeto da empreitada, analisar sobrecustos em relação ao valor adjudicado e projetar o valor necessário para a conclusão da obra”, avança hoje à Lusa fonte oficial dessa Câmara do distrito de Aveiro.

A decisão surge no contexto da “análise rigorosa e transparente que está a ser efetuada pelo novo executivo municipal aos projetos e empreitadas em curso no concelho”, já que, numa primeira análise, foi “identificada uma potencial desconformidade com o Código dos Contratos Públicos que inviabilizaria a conclusão da empreitada”.

Ambicionado pela população local há quase 50 anos para acolher o Sporting Clube de Espinho, o Estádio Municipal começou a ser construído no final de 2020, então no mandato camarário do social-democrata Joaquim Pinto Moreira, e deveria ficar concluído no próximo mês de setembro, já sob a gestão do executivo socialista que lhe sucedeu – e agora presidido por Maria Manuel Cruz, na sequência da renúncia de Miguel Reis após a sua detenção em janeiro por suspeitas de corrupção em interesses imobiliários.

O anúncio da auditoria específica ao estádio verifica-se depois de, na terça-feira à noite, o presidente do Sporting Clube de Espinho, Bernardo Gomes Almeida, ter abordado o tema na Assembleia Municipal. A propósito de “informações contraditórias” emitidas pelo executivo, o dirigente desportivo pediu esclarecimentos sobre a “proposta disparatada” do chefe de gabinete da presidência da autarquia, que lhe terá dito que “a câmara entregaria a obra ao clube no estado atual e seria esse a ter de resolver o problema da construção do estádio”.

Bernardo Gomes Almeida declarou ainda que o mesmo responsável “sugeriu até um sócio para essa empreitada, ligado a uma empresa de construção”.

Questionado pela Lusa, o chefe de gabinete, Nuno Cardoso, não quis comentar as alegações do presidente do Sporting Clube de Espinho, mas informa que a auditoria à empreitada do estádio ficará a cargo do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Em comunicação oficial, a autarquia acrescenta: “A auditoria técnica e financeira consistirá na avaliação dos procedimentos contratuais, do projeto e da execução da obra até à presente data, com o objetivo de identificar eventuais desconformidades e erros, e as suas origens, permitindo que o município possa apurar e imputar responsabilidades, interna e externamente, caso se confirmem irregularidades”.

Questionando “situações peculiares” em torno da obra, a câmara identifica duas: por um lado, “o Estádio Municipal havia sido anunciado em 2018, por um valor de 2,5 milhões de euros, com quatro bancadas cobertas, e acabaria por ser adjudicado, em 2020, por 4,5 milhões e apenas uma bancada coberta”; por outro, “a empreitada em execução não contempla sistema de iluminação do campo, movimentação de terras na envolvência, arranjos exteriores ou acessos à infraestrutura”.

O executivo de Maria Manuel Cruz desconfia também da opção do relvado, referindo que, “sendo este um equipamento municipal que teria o Sporting Clube de Espinho como utilizador principal, mas não único, a opção por um relvado natural, com limitações de utilização bastantes elevadas, também suscita dúvidas quanto à adequabilidade do projeto”.

A auditoria deverá agora demorar três meses e, se também visa “projetar uma estimativa do valor necessário para conclusão da obra”, é porque “a situação financeira da empreitada é verdadeiramente preocupante” e pode pôr em causa “a sustentabilidade da própria autarquia, que suporta integralmente o investimento”.

Citada no comunicado enviado à Lusa, Maria Manuel Cruz realça que, “em termos proporcionais, a obra do Estádio Municipal de Espinho poderá vir a ter um peso no orçamento municipal quase 70 vezes superior ao que teria o altar-palco para a Câmara de Lisboa” e, embora afirmando-se empenhada em concluir a obra, diz “não ter disponibilidade para continuar a alimentar relações de dependência entre a política e o futebol, e muito menos para financiar, com dinheiros públicos, projetos privados com fins lucrativos”.

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