Câmara do Porto muito preocupada mas já “fez tudo” pelo Boavista
Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, revelou que a situação financeira do clube axadrezado é alarmante, mas que a autarquia já fez “tudo” nesta fase.
O presidente da Câmara Municipal do Porto disse hoje que a situação do Boavista “preocupa muito”, mas que a autarquia já fez “tudo” nesta fase pelo clube que tem “um valor inequívoco na cidade”.
“De facto, é um clube muito importante, do ponto de vista histórico e, até, social, na cidade, e tem um conjunto muito significativo de milhares de jovens que praticam desporto, têm atividade física, através do Boavista. Tem um valor inequívoco na cidade. Preocupa-nos muito a situação, estamos a acompanhar permanentemente, desde o primeiro minuto”, explicou Pedro Duarte.
O edil falava com os jornalistas à margem de uma visita a um novo jardim na freguesia de Ramalde, tendo realçado o papel da câmara como entidade “absolutamente colaborante” no momento que vive o Boavista, emblema do qual o município é um dos credores.
Boavista falha pagamentos e enfrenta insolvência
O clube portuense falhou o depósito de 53.680 euros para fazer face às despesas correntes deste mês, bem como outra de 96.000 euros, primeira de três prestações para regularizar dívidas vencidas, levando a administradora da insolvência, Maria Clarisse Barros, a anunciar que iniciará diligências para encerrar a atividade.
Considerando que não compete à autarquia “perturbar o normal funcionamento” do processo que atravessa o emblema ‘axadrezado’, cuja insolvência pode ser decidida em breve, nesta fase, referiu Pedro Duarte, não podem “fazer mais do que isto”.
Administradora inicia processo de encerramento
De acordo com o requerimento enviado pela administradora da insolvência, Maria Clarisse Barros, ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, o Boavista falhou o depósito de 53.680 euros, para fazer face às suas despesas correntes este mês, e de 96.000 euros, respeitante à prestação de janeiro, a primeira de três destinadas a regularizar as dívidas vencidas e não regularizadas.
Depois de ter depositado 55.000 euros em 22 de dezembro de 2025, correspondentes às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96.000 euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.
Boavista sem equipa sénior e em situação crítica
Em 16 de dezembro, o clube portuense, que não tem equipa de futebol sénior ativa há dois meses e meio, tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.
Dois dias depois, o Boavista lançou uma campanha pública de angariação de fundos, com quatro formas de participação, dos 40 aos 40.000 euros, que ajudou a liquidar em tempo útil a tranche referente ao mês passado.
A administradora de insolvência já tinha solicitado há dois meses ao tribunal o encerramento da atividade do Boavista – cuja liquidação foi aprovada em setembro -, por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com o consequente acumular das dívidas.
O clube detém 10% do capital social da SAD, que deveria disputar a II Liga em 2025/26, mas deixou de ter uma equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, no qual é 18.ª e última colocada, estando a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado desde maio.


